Com a missão de transformar e melhorar a vida das pessoas que sofrem com problemas auditivos, a Audibel completa em agosto 35 anos de história no Brasil. Com 63 unidades no País, a empresa, que está há 22 anos em Franca, sob a direção dos irmãos Katia Miriam de Melo Silveira e Anderson de Melo, já beneficiou milhares de francanos ao longo dos anos. Por dia, apenas na unidade Franca, são atendidas em média 35 pessoas.
Com 55 anos, Katia, que é formada em fonoaudiologia pela Unifran (Universidade de Franca), possui mestrado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e doutorado pela EPM (Escola Paulista de Medicina), acompanha de perto todos os pacientes, incluindo os das outras duas unidades mineiras que gerencia com o irmão, em Uberlândia e Patos de Minas. A profissional, que foi premiada recentemente pela Academia Americana de Audiologia, em Nashville, Estado norte-americano do Tennessee, pelo trabalho em que realizou uma revisão de 60 anos de estudos sobre a interferência da perda auditiva na saúde cardiovascular dos indivíduos, falou ao Comércio da Franca sobre a importância da prevenção e tratamento de problemas auditivos e também sobre todo o trabalho que tem realizado na empresa ao longo das últimas décadas. Portadora de um problema auditivo depois de um acidente que sofreu, Katia ressaltou ainda a necessidade de assistência especializada e qualificada em casos auditivos.
Como nasceu a vontade de trabalhar com pessoas que sofrem com problemas auditivos?
Tive a oportunidade de fazer um aprimoramento em Roma, na Itália, enquanto ainda cursava fonoaudiologia. Participei de uma seleção, depois de ver um anúncio pequeno na Unifran. Foram 45 dias, mas muito importante para mim. Lá fazíamos acompanhamento de crianças com dificuldade auditiva e usuários de aparelhos auditivos e foi ali que realmente reforçou a minha vontade de trabalhar com audiologia. Na verdade, o meu desejo de trabalhar com isso nasceu por que eu tenho uma irmã que é deficiente auditiva. Eu vi toda a trajetória dela e toda a dificuldade dela em lidar com os dispositivos auditivos, que naquela época eram grandes caixas. O atrito dos fios na roupa, para conduzir o som até o ouvido da minha irmã, provocava muito incômodo. Por isso, ela sofria muito e não conseguia desenvolver um padrão de fala. Ela foi crescendo e a tecnologia melhorou, mas infelizmente os profissionais não tinham o preparo necessário para conduzir a família no uso dos aparelhos e tudo era muito difícil. Hoje minha irmã tem 62 anos e ela fala muito pouco, com um padrão de fala bem distorcido. Isso tudo por que ela passou por 30 anos da vida dela sem o tratamento correto. E eu conheço pessoas hoje que tem o mesmo grau de comprometimento da minha irmã, mesmo grau de perda auditiva, mas que desenvolveram a fala muito melhor. Exatamente por ter tido um acompanhamento mais qualificado.
A senhora acaba de receber o Prêmio de Excelência em Audiologia Geriátrica, em Nashville, Estado norte-americano do Tennessee, por uma revisão de estudos sobre a ligação entre a perda auditiva com problemas cardiovasculares. Qual a importância desse estudo?
Esse foi um trabalho de revisão de 60 anos de estudos realizados para verificar a interferência dos problemas cardiovasculares na perda auditiva. Nesse estudo, foi confirmado que existe uma redução da energia que, com a vascularização correta, fluindo normalmente, nutre o órgão que dá funcionalidade ao sistema auditivo. Foi feita também uma análise da pessoa que melhora a saúde vascular e consequentemente ela melhora a resposta auditiva, melhora a capacidade de ouvir e discriminar os sons. Verificamos também que as mulheres têm pior desempenho auditivo, quando o comprometimento cardiovascular está presente, do que os homens.
Como esse estudo pode beneficiar diretamente os pacientes?
Foram 4 anos e meio de estudos, que mostraram diversas nuances do problema. Esse estudo foi premiado por que poucas pessoas se preocupam em fazer levantamentos de um determinado tema, como foi esse caso. Hoje sabemos, se o paciente vem nos procurar aqui na Audibel, que se ele tem algum problema cardiovascular, se ele já tem um problema detectado, sei que o acompanhamento desse paciente, a adaptação do aparelho dele, vai depender também do tratamento que ele está fazendo. Posso oferecer um trabalho completo, melhor assistência. Fazer até mesmo um trabalho multidisciplinar com o médico que o acompanha e conseguir um resultado melhor.
Quando trata-se de envelhecimento saudável muito se fala sobre a prática de exercícios físicos. É possível dizer que uma vida saudável também influência no caso de futuros problemas auditivos?
O exercício físico, especialmente quando a pessoa é acometida com um problema cardiovascular, ajuda sim na resposta do problema auditivo. A discriminação é melhor quando a pessoa está praticando atividades físicas, assim ela acelera o metabolismo e consequentemente melhora a vascularização e a audição do indivíduo. No estudos realizados, em vários deles, é possível observar os benefícios dos exercícios físicos. Existe um envelhecimento auditivo, que pode ser mais acentuado ou menos acentuado, dependendo da saúde da pessoa e isso está diretamente ligado às atividades físicas e a saúde da pessoa.
Existe um motivo mais comum para a perda auditiva?
Depende de que perda estamos falando. No caso da nascença existe um leque muito grande de causas, uma delas é a genética. Costumo dizer para os meus alunos que é possível mudar a cor dos óculos, sapatos, cabelos, mas a genética é impossível mudar. Então, se estiver pré-determinado a informação da perda auditiva, observando se na família tem, você pode se cuidar porque pode ter problemas auditivas no futuro. Outra causa possível são problemas enfrentados durante a gestação, um exemplo é a rubéola. Hoje graças à informação e orientação a gestante sabe que deve receber a vacina, pois se ela não estiver imunizada e contrair a doença fatalmente ela terá problemas auditivos. A informação hoje é melhor e as pessoas se cuidam mais. Temos ainda o teste da orelhinha, que atualmente é obrigatório, e através desse exame é observar se a criança tem algum problema auditivo que pode ser tratado.
No mundo atual, independente da idade, vemos que cada vez mais as pessoas são adeptas de fones de ouvido. Muito se fala sobre como o volume do som pode ser prejudicial para a audição. Até que ponto isso é real?
Ao longo da vida a perda auditiva vem sendo cada vez mais, os estudos e as pesquisas mostram, que a exposição a elevados níveis de pressão sonoras vem trazendo malefícios para a audição. Os jovens, principalmente eles, têm se mostrado bastante resistentes a aceitar que essas atitudes prejudicarão suas audições. A célula do ouvido, na parte mais interna, não se reproduz, por isso se houver uma lesão por excesso de exposição a volumes altos não há recurso, além dos aparelhos auditivos, para solucionar problemas auditivos. E, por mais que a tecnologia tenha evoluído, os aparelhos não são ouvidos novos. Por exemplo, eu sofri um acidente, que também é uma causa de perda auditiva ao longo da vida, e hoje uso um aparelho para compensar uma perda auditiva. Mesmo com perdas mínimas é muito importante colocar o aparelho auditivo para manter o estímulo da audição. É como uma pessoa que sofre um acidente e precisa de fisioterapia. Esse é um processo que leva tempo, é preciso verificar todos os problemas que envolvem a saúde dessa pessoa e, posteriormente, orientar para que o paciente possa resgatar essa dificuldade que se instalou ao longo do tempo que ele sofreu a privação.
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