Disparada nos preços que não se explica


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Franca amanheceu com um aumento conjunto no valor do etanol
O mercado de combustíveis no Brasil é livre. Isso significa, em tese, que cada proprietário de posto cobra o valor que quiser. As regras praticamente não existem, em algumas poucas questões as leis de proteção ao consumidor regularizam o setor, como no caso de cobrança de preços abusivos e na formação de quartel - combinação de valor entre os concorrentes. Desde o fim da greve do caminhoneiros, os francanos testemunharam - e comemoraram - uma queda acentuada no preço do litro do etanol. Em cerca de um mês, a redução chegou a R$ 1 por litro. A cidade, que tinha um dos mais caros combustíveis de São Paulo, passou a praticar o valor mais baixo. Mas a boa notícia se findou ontem. Quando os francanos acordaram nessa sexta-feira, viram o combustível subir 60 centavos nas bombas. Foram mais de 30% de aumento da noite para o dia. Se o mercado é livre, o aumento - apesar de alto - não levantaria suspeitas, apesar da revolta. Mas como explicar o reajuste que aconteceu em praticamente todos os postos de Franca? .
 
Era o  fim de maio de 2018. O Brasil vivia a greve dos caminhoneiros e, como consequência, um desabastecimento. Os postos de combustíveis foram os principais atingidos. Sem etanol, gasolina e diesel, enfrentaram dias sem negócios - leia-se prejuízos. Mas, numa demonstração de - no mínimo - bom senso, a grande maioria dos estabelecimentos manteve os preços inalterados. Os que ousaram aproveitar-se do desabastecimento, foram fortemente atacados pelos consumidores pelas redes sociais, foram alvos de manifestações, que se aproveitaram do apoio ao movimento para repudiar o oportunismo de alguns comerciantes. Lá, há quase dois meses, o litro do etanol custava R$ 2,99 em Franca. 
 
Desde então, o que se viu foi uma queda acentuada. Os postos francanos saltaram de uma ponta a outra do ranking estadual de preços. A explicação para a queda, segundo o sindicato dos proprietários de postos de combustíveis de Franca, no início do mês passado, era o estoque acumulado após a paralisação dos transportadores. Mas o preço continuou caindo. Um mês e meio depois, os francanos comemoravam o etanol mais barato do Estado. Pagavam pelo litro do combustível R$ 1,99. Havia promoções com o preço até dez centavos mais em conta. E o valor se manteve até a última quinta, em alguns postos até o meio da tarde dessa sexta.
 
De repente, 60 centavos de aumento. De R$ 1,99 para R$ 2,59. Encher um tanque de um carro pequeno passou de, em média, R$ 80 para R$ 103,60. É muito para um povo que já tem seu bolso tão dilapidado por um país que só cobra e não devolve. Mas o mercado é livre. Não foi abusivo o aumento. Franca voltou a ter um dos preços mais altos do etanol. Agora, o que não se explica é por que praticamente todos os postos subiram o valor cobrado pelo etanol numa harmonia digna de invejar as mais célebres orquestras.

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