Pedreiro que matou e fugiu disse que se arrependeu


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Imagem de arquivo mostra a moto Honda Bros de Márcio José Soares, morto em março
Imagem de arquivo mostra a moto Honda Bros de Márcio José Soares, morto em março
O dia 18 de março ficou marcado por uma ocorrência violenta em Franca e, até hoje, é lembrado com tristeza por uma família. Um acidente na rodovia Fábio Talarico, rumo a São José da Bela Vista, matou Márcio José Soares.
 
O administrador de empresas, casado e pai de duas filhas de 11 e 15 anos, morreu aos 39 anos, após ter a traseira de sua moto atingida por um Ford Fiesta. A tragédia já falava por si só, mas teve um fato ainda mais grave: o responsável pelo acidente, Marcos Antônio Valin, de 44 anos, era seu amigo e estava na companhia do irmão da vítima, Júlio César Soares.
 
Valin, que trabalha como pedreiro, fugiu do local após o acidente. Estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa desde 2011. Ele se apresentou à Polícia Civil cinco dias depois. Admitiu ter bebido e que trafegou pela contramão, batendo na moto do amigo. Culpou a escuridão e a falta de sinalização.
 
Acompanhado de seu advogado, recebeu do delegado Alan Bazalha Lopes a notícia de que seria indiciado pelos crimes de homicídio culposo duplamente qualificado por não ser habilitado e por ter deixado de prestar socorro; fuga de local do acidente e por dirigir veículo automotor sob efeito de álcool.
 
Não demorou para que uma audiência do caso acontecesse. Ele foi denunciado por dirigir com capacidade psicomotora alterada e por homicídio culposo. Na última terça-feira, familiares de Márcio, como Júlio César e outra irmã, além do próprio acusado, foram até o Fórum de Franca e deram suas versões, divulgadas inicialmente pela TV Record. Alegando estar arrependido, o pedreiro falou como tudo aconteceu e o pós-acidente. Confira seu depoimento logo abaixo. 
 
Começo de tudo
“Eu estava em casa quando o Júlio César Soares, irmão do Márcio e meu melhor amigo, ligou pedindo para ajudá-lo com o carro. Fui até lá e depois fomos para a casa dele. Fizemos churrasco e paramos de beber por volta de 16 horas. Bebi seis romarinhos (garrafas de cerveja de 300 ml). Não bebia outro tipo de bebida e agora não bebo mais. Fomos na casa da mãe do Júlio e depois na minha, ali no Jardim Esmeralda, também perto da casa dele. A gente ia dar uma volta pra lá, na Fábio Talarico, e aconteceu isso aí na hora que eu estava descendo na rodovia. Olhei para o lado e, em um pedaço, entrei na contramão com o carro. Aí meu amigo (Júlio César, que estava no banco do passageiro) falou que eu estava na contramão e eu disse que ia cortar ali. Quando fiz a volta, aconteceu. Um farol de moto apareceu do nada e pegou no meu carro.”
 
Acidente e fuga
“A gente desceu do carro e, na hora que eu olhei, o Júlio César disse: ‘É o Márcio!’, eu falei que era ele. Peguei nele assim (Marcos gesticula como se estivesse recolhendo alguém do chão) e perguntei ‘O que a gente vai fazer agora?’. Entrei em choque. Ele (Márcio) era meu amigo, estava sempre comigo. A gente se conhecia há muitos anos. Saí correndo. Ia correndo para baixo e voltava na rodovia depois disso.” (Valin fica com a voz embargada)
 
Depois da tragédia
“Conversei com o Júlio César depois e ele me pediu um tempo, falou que era complicado. (nesse momento, o réu chora). Eu não saía da casa deles, entende? Ia sexta, sábado, domingo... Estávamos sempre juntos. Falei com o Júlio por telefone. Hoje em dia ele não fala mais comigo por isso. Fiquei completamente perdido, eu fui para uma fazenda depois e não quis mais sair de lá.” 
 
Arrependimento
“Eu só queria sumir. Tomei remédios para dormir. Ainda tomo. Não durmo e não saio mais de casa. Não sei nem explicar como estou. Vejo o Márcio direto aqui perto de mim. Escuto sua voz na minha cabeça. Vejo ele sempre. (Valin chora e, quando perguntam se está arrependido, a voz embarga e o réu chora ainda mais) Como pôde acontecer uma coisa dessas? Ele era meu amigo. Nunca fiz maldade com ninguém” (lamenta e, depois, é dispensado pelo juiz, saindo da sala).
 
O processo
Após a audiência, realizada na terça-feira, o juiz Alexandre Semedo de Oliveira determinou que o advogado de defesa de Valin, Reginaldo Carvalho, e o Ministério Público, apresentem os memoriais. Eles têm um prazo de cinco dias. Semedo também aguarda que alguns laudos ausentes sejam colocados no processo, bem como a certidão de antecedentes do acusado.
 
 

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