Emperra mais uma vez acordo entre patrões e sapateiros


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Sebastião Ronaldo, presidente do Sindicato dos Sapateiros, inicialmente descarta buscar na Justiça um acordo
Sebastião Ronaldo, presidente do Sindicato dos Sapateiros, inicialmente descarta buscar na Justiça um acordo
Pelo segundo ano consecutivo, a negociação sobre o reajuste salarial da maior categoria de trabalhadores de Franca ainda não tem previsão para acabar. Enquanto o Sindicato dos Sapateiros pediu em um primeiro momento 11,92% de reajuste para a recuperação das perdas salariais ao longo dos últimos anos, o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) oferece 1,81%, valor da inflação para o período. Com uma pauta composta por 119 reivindicações feitas pelos trabalhadores neste ano, entre elas o abono salarial, a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e cestas básicas entre os principais pedidos, a categoria negou fechar o acordo proposto pelo sindicato patronal. 
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, a categoria esteve próxima de fechar um acordo, mas o Sindifranca teria dificultado a situação impondo condições que não foram aceitas. “Chegamos ao consenso de 3% na última reunião, com o próprio Sindifranca afirmando que defenderia esse índice, mas, de última hora, colocaram como condições para aceitar o índice retirar a homologação da rescisão no Sindicato dos Sapateiros e também o direito de votação sobre a jornada de trabalho dos trabalhadores. Por isso, não foi feito o acordo, não concordamos em retirar esses direitos, os quais lutamos tanto para conquistar”, explicou. 
 
Por outro lado, o Sindifranca está irredutível e mantém a oferta de 1.81%. “Já comunicamos ao Sindicato dos Sapateiros a decisão tomada em Assembléia que é a concessão da inflação do período, fixada em 1,81%. Durante os últimos cinco anos demos aumento além da inflação, tanto que temos um saldo positivo de 10,5% acima da inflação. Quando é possível ser feito isso (dar um reajuste maior que a inflação), fazemos. Mas agora, na situação que vivemos, com uma perda de 12 milhões de pares, não existe forma”, disse José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca. 
 
Além do reajuste de 1,81%, o Sindifranca ainda propôs uma alteração no pagamento da PLR que, segundo Brigagão do Couto, seria baseado nos lucros reais das indústrias. “Um ponto que quero conversar e o Sebastião Ronaldo está irredutível é a aplicação da PLR na essência da lei. Temos que participar sobre a produtividade, quando é assim o funcionário ganha mais, a empresa não tem o custo por que ganha na produtividade e aumenta sua competitividade no mercado nacional”, completou. 
 
Inicialmente, segundo Sebastião Ronaldo, o ingresso na Justiça para um acordo está descartado. Enquanto isso ele tem trabalhado diretamente junto às empresas o reajuste, que tem sido fechado na maioria das vezes, segundo ele, nos 3% acordado na última reunião com o Sindifranca. 
 
2017
No ano passado, a discussão sobre o acordo coletivo entre o Sindifranca e o Sindicato dos Sapateiros de Franca se arrastou por meses. Apenas em outubro, após intermediação do Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, os sapateiros aceitaram o reajuste salarial de 5,5%. Na ocasião, a categoria pedia 7%. 
 
Na época, como as negociações se arrastaram, algumas fábricas aplicaram o reajuste antes mesmo do acordo. Aquelas que não haviam aplicado o aumento precisaram pagar 4,69% de reajuste, índice retroativo aos meses de março a agosto, além da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

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