Será o fim de uma era politico-eleitoral?


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Os dois maiores partidos do Brasil nas últimas décadas sinalizam para uma derrota acachapante nas eleições de outubro deste ano. PSDB e PT, que protagonizaram as disputas presidenciais desde a primeira metade da década de 1990, insistem nesta corrida pelo Palácio do Planalto em nomes que, pela atual conjuntura, ou serão barrados pela Justiça ou pelas urnas. As dicotomias tucanos-petistas, direita-esquerda e, mais recentemente, coxinhas-mortadelas deverão ser enterradas por Alckmin-Lula. Pelo cenário que se apresenta no período de pré-campanha eleitoral e, agora, de convenções partidárias, o domínio das duas siglas será quebrado. A esperança de petistas está única e exclusivamente depositada numa improvável decisão da Justiça Eleitoral para liberar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Já os tucanos apostam numa reversão do atual quadro e acreditam que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin deslanchará após o início da campanha eleitoral no rádio e televisão.
 
Assim como patina nas pesquisas eleitorais, não alcançando um índice com dois dígitos nos principais levantamentos feitos pelos institutos brasileiros, Alckmin também tem dificuldades para escolher um vice. O empresário Josué Alencar (PR) faz suspense sobre aceitar ou não compor a chapa com o tucano na cabeça. Alencar também era pretendido por Lula. Teoricamente em campos opostos, ambos flertam ou flertaram com o mesmo nome. Sinais da realidade política nacional.
 
Com a indefinição de Alencar, membros do PSDB e do centrão – DEM, PP, PR, SD e PRB – já defendem outros nomes: do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), da senadora Ana Amélia (PP-RS) e do ex-ministro Aldo Rebelo (SD-SP). Os dois primeiros estão em pré-campanha para o Senado e o último havia sido lançado pré-candidato à Presidência. Mais um absurdo da política nacional: Rebelo foi ministro de governo petista. 
 
A polarização que dividiu o Brasil a partir dos protestos de 2013, muitas vezes acirradas pelos próprios PSDB e PT, na campanha que reelegeu Dilma Rousseff, aparentemente serviu apenas para minar os planos eleitorais de ambas as siglas. Ao jogar parte do país contra o PT, o PSDB não conseguiu colher os frutos da campanha. Do mesmo modo, os ataques petistas aos tucanos minaram o inimigo, mas não atraiu eleitores. Hoje, sem Lula, o PT não é motivo de temor aos adversários.
 
Mais que o esvaziamento das legendas, a disputa por Alencar e a cogitação de Rebelo como vice de Alckmin atestam que PSDB e PT caminham para se transformar na mesma coisa: nada. E tudo isso sem falar nos casos de corrupção...

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