IGREJA IMPLANTA RESTRIÇÕES NA LITURGIA DAS MISSAS PARA EVITAR A GRIPE
‘Tendo em vista a difusão do vírus H1N1, mesmo sem haver motivo para pânico nem temores excessivos, no desejo de colaborar com as autoridades sanitárias na prevenção da doença e visando o bem e a saúde do povo, por orientação da Secretaria Municipal de Saúde, faço as seguintes recomendações para que sejam levadas em consideração em toda a Diocese de Franca, enquanto perdurar o surto de gripe, ou ainda não estiver controlada.” Essas frases abrem a Carta sobre o Vírus H1N1, divulgada na última sexta-feira pelo bispo diocesano Dom Paulo Roberto Beloto aos padres, diáconos e ministros extraordinários da Sagrada Comunhão. No comunicado, o religioso suspende todas as tradições da liturgia das missas em que há contato entre os fiéis, como a saudação da paz e o gesto de dar as mãos durante a oração do Pai Nosso. Também orienta que a Eucaristia seja ministrada nas mãos dos fiéis, evitando entregá-las diretamente na boca. Todas as recomendações são para evitar a transmissão entre os participantes das celebrações do vírus da gripe. Como o próprio líder dos católicos na região ressalta, não há “motivo para pânico”, mas em se tratando de uma doença que já matou cinco pessoas em Franca, sendo duas de cidades vizinhas, toda cautela é bem-vinda.
A infecção respiratória aguda causada pelo vírus H1N1 é mais perigosa em crianças e idosos, mas pode matar pessoas de qualquer idade. O grau de gravidade varia de acordo com organismo. Algumas pessoas podem ter sido infectadas pelo vírus e sarado sem que a doença fosse diagnosticada. Outras, porém, não resistem às complicações e morrem. “Além dos casos de óbitos confirmados, acompanhamos e fizemos exames em cerca de 60 a 70 pessoas com insuficiência respiratória aguda grave e que estavam entubadas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Há muitos mais casos, não tem nem como calcular. Só os mais graves são investigados. Muitas pessoas tiveram a gripe H1N1, curaram e nem ficaram sabendo”, disse ao Comércio, na semana passada, o médico da Vigilância Epidemiológica Municipal, Homero Antônio Rosa Júnior.
O cenário se torna mais preocupante com o tempo seco, que propicia a transmissão do vírus, e os dias mais frios, quando normalmente as pessoas se concentram em lugares fechados, facilitando ainda mais a propagação da doença. A prevenção é a única forma de evitar o contágio. Em tempo de campanhas mentirosas disseminadas por redes sociais, o alerta é ainda maior, uma vez que muitas pessoas deixam de se vacinar e até seus próprios filhos, por exemplo, por conta de falsas notícias.
Além do aspecto prático, a ação da Igreja Católica em Franca tem um caráter psicológico, praticamente didático. As autoridades religiosas se unem às autoridades civis no combate à doença e, mais, no combate à ignorância.
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