Tráfico corresponde a 77% das apreensões na Fundação Casa


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109 menores infratores estão no Caip, Semiliberdade ou internados na Fundação Casa de Franca
109 menores infratores estão no Caip, Semiliberdade ou internados na Fundação Casa de Franca
Dos 109 adolescentes que estão internados na Fundação Casa, no Caip (Centro de Atendimento Inicial e Provisório) ou na Casa de Semiliberdade em Franca, 84 se envolveram com o ato infracional equiparado ao tráfico de drogas. 
 
Os dados foram obtidos com exclusividade pela reportagem do Comércio na última semana. Segundo o levantamento, dos total de jovens infratores apreendidos em Franca, os 77% envolvidos com tráfico têm idades entre 14 e 19 anos, 44 estão apreendidos na Fundação à espera de sua liberdade; 14 estão na Semiliberdade e 26 no Caip.
 
Os demais delitos que justificaram a apreensão para reeducação dos garotos possuem naturezas diversas. De acordo com a Fundação Casa, 14 respondem por roubo qualificado; 3 por roubo simples; 4 por furto qualificado; 2 por ameaça. Os outros dois são atos infracionais que não foram especificados.
 
O diretor regional da instituição, João Rafael Mião, considera a falta de políticas públicas e de educação de qualidade nas escolas fatores que impulsionam a entrada dos menores no mundo do crime. “Muitas vezes, eles se envolvem pela falta de oportunidades. Em alguns casos, a família é desestruturada e já envolvida com o crime. Também falta incentivo e mudança na vida do menor, quando ele volta para aquela mesma realidade em que estava.”
 
A respeito dos internos na Fundação Casa, que correspondem a 63 dos 109 totais, Mião afirmou que eles contam com um respaldo e diversas medidas socioeducativas. Além das aulas ministradas por professores da rede estadual, há a educação profissional e um trabalho desenvolvido com uma equipe composta por psicólogos, assistente social e pedagogos.
 
Ele também afirma que parte das apreensões de menores é inadequada. “O Estatuto da Criança e Adolescente determina que a internação deva ser para os casos praticados mediante violência ou grave ameaça à pessoa. O tráfico, considerado crime hediondo e responsável pela maioria das internações, não tem grave ameaça ou violência. É preciso pensar a respeito e engana-se quem pensa que a redução da maioridade penal resolveria. A maioria que comete crime já é adulto”, disse.
 
A instituição
Na Fundação Casa, antiga Febem (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor) funcionam três unidades: o Caip, espaço com capacidade para acolher até 33 adolescentes no atendimento inicial e na internação provisória e que, hoje, tem 32 garotos; a Unidade de Internação, com 64 vagas; e a Casa de Semiliberdade, conhecida como República e que está localizada no Centro da cidade. Trata-se de um espaço para abrigar até 23 jovens e que hoje cuida de 14 menores. Ali eles podem trabalhar, frequentar escola e ir para casa aos fins de semana. Os adolescentes também podem fazer cursos profissionalizantes e possuir carteira de trabalho assinada para, assim, tentar conquistar um futuro melhor.

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