São mais de 20 anos ocupando um dos cargos mais importantes de uma das maiores feiras do setor couro-calçadista do Brasil, e responsável por lançar as principais tendências do verão. Gerente de negócios da Francal (Feira Internacional da Moda de Calçados e Acessórios), Malu Fiorese acompanhou e fez parte das principais mudanças na feira ao longo dos anos. O evento, que nasceu em Franca e completou 50 anos em 2018, neste ano trouxe para os expositores e visitantes um formato inovador e com foco, além da geração de negócios, no conteúdo.
Com aproximadamente 450 expositores e bem menor que nos seus anos de auge quando ainda acontecia no Anhembi, em São Paulo, a 50ª Francal ocupou um pavilhão no Expo Center Norte, em São Paulo e, durante quatro dias, atraiu aproximadamente 30 mil visitantes. Com desfiles de tendências para a moda masculina, feminina e infantil, palestras de e-commerce, painéis, premiações e fóruns, a feira se mostrou mais profissional, segundo os próprios expositores, e respondeu às expectativas baseadas na atual situação econômica do País.
Para analisar esse cenário, as mudanças na Francal, a inovação e o que os expositores podem esperar para a edição 2019, Malu Fiorese atendeu a reportagem do Comércio da Franca e aproveitou para apontar os acertos da edição 2018.
Você tem uma experiência de 23 anos na Francal. Como é acompanhar todo esse tempo da feira e ver o quanto ela mudou ao longo dos anos?
Vivemos uma época áurea de feiras. Nos anos 2009 até 2012, nós tínhamos megaestandes, as feiras eram muito grandes, com 50 mil metros quadrados. Hoje o mercado é totalmente diferente, você tem um outro mercado e uma outra necessidade. A maioria dos expositores que estão aqui hoje (na Francal) não precisa de espaços tão grandes para participar da feira. O que fizemos nessa edição foi mostrar para o mercado formas econômicas de participar de uma feira. O expositor tem a mesma visibilidade e a mesma oportunidade de negócios que um estande de 400 metros proporcionava antes, e a Francal inovou com essa maneira de participação, criando projetos superinteressantes. Tivemos o Terraço, o projeto galeria, o Francal Kids, o Exporta Mais, entre tantos outros espaços. Assim oferecemos opções para que todas as indústrias, sendo grande, média ou pequena, pudessem participar da feira de forma democrática, todos tendo a mesma visibilidade. Acho que essas foram as mudanças mais importantes para essa edição.
Qual o balanço da Francal 2018?
A feira está mais compacta e com uma visão mais geral de todos os estantes, sendo todos do mesmo tamanho e possibilitando as mesmas oportunidades para os expositores. O que percebemos é que o mercado teve um olhar positivo para essa mudança. O conceito da Francal neste ano é mais visual, então ela tem uma cara de shopping. Pelos corredores foi possível perceber isso. Até o ano passado, tínhamos uma feira com corredor principal, nessa edição não tivemos isso, todos os corredores são principais e com o mesmo charme. Eu ouvi de muitos expositores que esta foi a feira mais linda que eles visitaram. Agora, no quesito de vendas, não temos como falar que foi diferente da realidade que vivemos. Os negócios realizados foram dentro da realidade de mercado. No primeiro dia, tivemos uma boa visitação e um ápice no segundo dia, com muitas pessoas visitando os estandes. Mais que isso, tivemos uma feira mais profissional, segundo os próprios visitantes, com lojistas realmente comprando e fazendo pré-negociações. Fizemos uma Francal dentro da realidade do mercado, mas uma feira de negócios positiva, com visitação, com ruído e com negócios, diferente do que vimos no ano passado.
Quais são as cidades que trouxeram mais representantes para a Francal 2018?
Nessa edição de 50 anos contamos com 450 expositores. Em algumas cidades, como é o caso de Franca, contamos com estandes coletivos. Então, temos o Rio Grande do Sul com 39 empresas apenas dentro do coletivo, Franca com 23 empresas, Santa Catarina com 22, Nova Serrana com 38 participantes e também temos um coletivo de Conceição do Coité, na Bahia, que foi uma novidade neste ano. Temos um trabalho de planejamento muito grande, investimos na mudança da imagem da feira e apresentamos para o mercado uma nova maneira de participar de feiras, um formato mais democrático. Assim, atraímos empresas que antes acreditavam não poder participar de feiras.
Qual a importância dessas parcerias entre Prefeituras e pequenas empresas que participam da Francal?
É muito importante, pois é a oportunidade, principalmente para as pequenas e médias empresas, principalmente no Estado de São Paulo, que o pessoal do Sebrae São Paulo retirou o subsídio para as feiras. Essas pequenas empresas precisam desse apoio e no nosso Estado somente Franca e Birigui fazem essas parcerias. As Prefeituras deveriam entender que, quando ajudam os negócios, também geram receitas para os municípios, seja em impostos ou mesmo na geração de empregos.
Quando vocês viram que era preciso mudar para que a Francal continuasse viva?
Com a mudança de mercado. Quando percebemos que empresas diziam não ter verba para a feira como era. Se o varejo está comprando menos, você precisa adequar e mudar o seu produto. Notamos que todas as feiras que ficarem na mesmice estão fadadas a terminar. Então, ou você muda o conceito e oferece um novo produto e uma nova forma de participação, ou você fica para trás. Assim, a Francal saiu na frente com um projeto totalmente inovador.
A 51ª Francal acontecerá em uma nova data, antecipando a feira para junho, uma antiga reivindicação dos expositores. Como foi tomar essa decisão?
A Francal atendeu uma reivindicação do mercado, que há muito tempo pedia para mudar a data e que a feira voltasse a ser um evento de lançamento da coleção de verão. Trazendo a data para 3 a 5 de junho, diminuindo para três dias, geramos três dias de negócios e ainda proporcionamos uma economia para os expositores que terão um dia a menos de diárias de hotel, de alimentação, etc. Conseguimos manter para 2019 os mesmos valores de 2018 e temos certeza que tanto a mudança da data como na quantidade de dias será positiva. Agora, outra coisa que quero frisar e faço questão de dizer é que, para a 51ª edição, nós da Francal esperamos que todas os fabricantes de Franca participem. É preciso uma maior participação da cidade onde a feira nasceu.
O que esperar para a Francal 2019?
Nossa proposta para 2019 é ter ainda mais inovações. Não temos mais uma feira voltada apenas para negócios, mas também para conteúdo. Trouxemos o mercado digital para a Francal, palestras superinteressantes sobre varejo e e-commerce, desfiles diários e temáticos, como o apenas infantil. Mostramos para o lojista que ele tem que sair da loja dele e vir para a feira, para retornar com novidades para o seu negócio, uma bagagem de conhecimento maior, com bastante conteúdo e informação, com meios de crescer. Daremos no próximo ano continuidade ao que fizemos neste ano. Queremos que o lojista venha para a feira não somente para negócios, mas em busca de soluções para a sua loja. Para melhorar sua vitrine, seu espaço e o que oferece. Queremos uma feira ainda mais bonita e geradora de conteúdo e negócios.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.