A preocupação bate à porta


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Pela primeira vez em 2018, as demissões superaram as contratações no mercado de trabalho formal em junho. Após a desaceleração nos meses anteriores, o corte de vagas terminou de frustrar a expectativa de recuperação do emprego neste ano. O saldo do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) ficou negativo em 661 vagas em junho, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho nessa sexta-feira. Em igual mês do ano passado, o saldo foi positivo. Foram criadas 9.821 vagas com carteira assinada. O resultado ruim se torna mais significativo por ter sido registrado em um mês que costuma ter criação de emprego. Em Franca, a situação não foi diferente. A cidade exterminou 586 vagas com carteira assinada em junho. Foram quase 20 trabalhadores perdendo seus empregos, em média, por dia.
 
Desde 2002, junho só havia tido resultados negativos em 2015 e 2016, segundo a série histórica do governo. A paralisação dos caminhoneiros, que afetou a economia em diversos aspectos, também impactou o mercado de trabalho à medida que piorou as expectativas, apontam especialistas. Essa não foi, contudo, a única explicação para o resultado do mês passado, ressaltam. Nos meses anteriores, o mercado formal já mostrava forte desaceleração, mas ainda tinha um saldo positivo - as contratações superavam as demissões. Em maio, o Brasil registrou a criação de 33,7 mil vagas formais. No acumulado no primeiro semestre de 2018, o saldo de criação de emprego está positivo em 392,5 mil vagas. O problema é que, no fim do ano, sempre há uma grande quantidade de demissões, que podem reverter o saldo positivo.
 
É exatamente deste mal que sofre Franca. Devido à sazonalidade da indústria calçadista, que tradicionalmente contrata no início do ano e demite em dezembro, o mercado de trabalho da cidade precisa de tomar grande fôlego nos primeiros meses para fechar o ano no azul. Este 2018, mesmo com a economia local apresentando um saldo positivo de 5.390 vagas criadas com carteira assinada no primeiro semestre, está pior que o ano passado. Em 2017, nos primeiros seis meses do ano, foram 6.001. Se a tendência não se reverter, Franca deverá chegar ao fim deste ano com mais trabalhadores demitidos do que contratados, repetindo o desempenho dos últimos quatro anos. E sob o risco de o cenário ser ainda pior que do último ano, quando 286 postos de trabalho foram fechados.
 
Os francanos vivem sob o temor do desemprego desde 2014, quando teve início a crise econômica nacional, que culminou a histórica recessão dos dois anos seguintes. A esperança havia se renovado com a desaceleração das demissões em 2017. Os números de agora, porém, enterram de vez quaisquer perspectivas de melhora neste ano. A expectativa é que após as eleições de outubro, os passos rumo à recuperação econômica voltem a ser dados, mesmo que curtos. A torcida é que 2018, pelo menos, termine como começou: uma morosa caminhada, mas para frente, não para trás.

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