DOENÇAS VOLTAM A AMEAÇAR o mundo, E PAIS DEIXAM DE VACINAR SEUS FILHOS
É crime. Pode resultar na perda da guarda da criança. O pior: pode ocasionar, inclusive, a morte do filho. Mesmo assim, uma onda de ignorância coletiva afeta milhares de pais mundo afora numa campanha burra contra a vacinação. A estupidez do século XXI se dá pelo excesso de informação falsa. Baseados em mentiras divulgadas principalmente pelas redes sociais, criadas por imbecis, muitos detentores de dados fictícios colocam em risco seus próprios filhos e - mais - toda a humanidade. O mundo chegou a um nível de imbecilidade em que um leigo, baseado nos absurdos que a internet conta, se julgue mais inteligente e competente que estudiosos - que dedicaram uma vida à ciência para a descoberta da cura ou prevenção de doenças - para optar pela não vacinação. O resultado desta inversão patética já bate à porta e coloca em risco crianças, jovens e adultos do mundo todo.
Dados da última semana mostram que mais de 6 milhões de pessoas que pertencem aos chamados grupos prioritários ainda não havia se vacinado contra a gripe neste ano. Segundo o balanço do Ministério da Saúde, gestantes e crianças foram os que menos procuraram as salas de imunização, com cobertura de 76,4% e 73,6%, respectivamente. Ao todo, 493.710 grávidas e 3,3 milhões de crianças com idade entre 6 meses e 5 anos ainda não tinham recebido a dose até o último dia 12. Até o dia 6 deste mês, foram registrados 4.226 casos de influenza em todo o país, com 745 óbitos. Desse total, 2.538 casos e 495 óbitos foram por H1N1, além de 889 casos e 127 óbitos por H3N2. Além disso, há 317 registros de influenza B, com 44 óbitos e outros 482 notificações de influenza A não subtipado, com 79 óbitos.
A gripe, infelizmente, é apenas um exemplo. Levantamento a partir dos registros do Programa Nacional de Imunizações do SUS aponta que um em cada quatro municípios do país tem cobertura abaixo do ideal em todas as vacinas obrigatórias para bebês e crianças, o que eleva o risco de retorno de velhas doenças e de surtos daquelas nunca eliminadas. Em 2017, 1.453 das 5.570 cidades brasileiras não atingiram as metas de cobertura para nenhuma das dez vacinas indicadas para esse grupo.
O Brasil vive sob o alerta do perigo da volta da poliomielite e do risco de um surto de sarampo. Esta última doença também preocupa o mundo. Apenas na Europa, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), os casos de sarampo cresceram 300%. Como no Velho Continente, também aqui e no restante do mundo, existem críticas quanto à insuficiente cobertura vacinal da população e o mais perigoso: o fortalecimento de movimentos populistas que deu fôlego a quem rejeita a vacinação. É inadmissível que a população volte a ser assombrada com doenças cuja prevenção foi descoberta há décadas. É inaceitável que pais irresponsáveis coloquem em risco a vida de seus filhos e de todos.
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