INSTABILIDADE INTERNa FORÇA CALÇADISTAs A FOCAREM No mercado externo
As incertezas do mercado interno, que vive um ano de instabilidade, fizeram com que expositores da 50ª edição da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios) focassem no exterior numa tentativa de garantir o fluxo de suas produções. Este 2018 começou com a expectativa de que, enfim, o Brasil recuperaria sua força econômica, mas passados seis meses e meio, em meio a novos escândalos políticos, manifestação de caminhoneiros e com a proximidade das eleições presidenciais, o ânimo esfriou - em casos mais extremos, o otimismo deu lugar ao pessimismo. O resultado é uma onda de descrença na recuperação da economia brasileira. Para deixar a situação ainda mais preocupante, dados oficiais mostram que a sensação de economistas, instituições financeiras e dos industriais estava correta: não será neste ano que o País terá um crescimento suficiente para minimizar os impactos negativos da grave recessão econômica sofrida nos últimos anos.
Acostumados à instabilidade do mercado, patrocinada principalmente pelos desmandos do governo central, os produtores brasileiros têm em sua marca a capacidade de adaptação. Exemplo dessa característica são expositores francanos presentes na Francal. Como não vislumbram bons negócios com as vendas internas, aproveitam da feira para manter contatos e conquistar novos mercados no exterior. O dólar em alta é outro atrativo para que os calçadistas voltem suas atenções para as vendas ao estrangeiro. A esperança de recuperação do mercado interno foi por água abaixo com a greve dos caminhoneiros no fim de maio. Levantamento da Serasa aponta que, em junho, o comércio varejista de vestuário e calçados sofreu um recuo de 0,4%.
Nessa segunda-feira, mesmo dia de abertura da Francal de número 50, mais dados oficiais foram divulgados e colaboraram para minar de vez a esperança na economia brasileira. De acordo com o Banco Central, a atividade econômica em maio, impactada pela paralisação dos transportadores, teve uma queda brusca. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou um recuo de 3,34%, na comparação com o mês anterior. O retrocesso é consequência do desabastecimento. Também ontem foi divulgada a pesquisa Focus do Banco Central, que voltou a diminuir a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano. A previsão anterior era de expansão de 1,53%. A projeção agora é de 1,5%.
Superados os impactos da greve, começam as incertezas com o que esperar das eleições de outubro. Neste caso, as urnas poderão definir um futuro de crescimento ou de mais retrocesso econômico. É preciso eleger um candidato comprometido com as reformas urgentes que garantam a recuperação do mercado interno. Apenas dessa forma, as exportações serão uma opção de expansão dos negócios e não a única saída para salvar o setor calçadista.
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