O dia 8 de julho estava sendo um domingo comum em Franca. Com poucos acionamentos na polícia e no Corpo de Bombeiros, o indicativo era de que a noite terminaria sem ocorrências graves ou que despertassem a atenção dos francanos. Exceto por uma, que tomou proporção nacional e tem sido compartilhada nas redes sociais e comentada entre religiosos.
À tarde, os bombeiros foram acionados para atender um chamado de incêndio no bairro Santa Rita. Tratava-se do carro de uma ministra da comunhão, de 72 anos, que estava saindo de casa, sendo consumido pelas chamas.
Assim que chegaram, segundo informações dos bombeiros, eles trataram de apagar o fogo rapidamente. Por sorte, não houve feridos. Mas um “detalhe” chamou a atenção: no banco do passageiro do veículo, havia a oração “Oferecimento do Dia”, escrita em um papel; a teca, onde a ministra guardou a hóstia para levar a uma pessoa doente; e um terço. Mesmo com toda a destruição em volta, ficaram intactos e resistiram ao incêndio.
Logo o caso tomou conta das redes sociais. Através de vídeos e fotos, inclusive dos objetos ainda em cima do banco após o fogo ser apagado, milhares de compartilhamentos no Facebook e no WhatsApp dessa ocorrência, vários católicos, de todos os cantos do País, descreveram o fato como “milagre”. Na publicação original, constava que “a providência de Deus se fez presente (...) E há quem não acredite na força da oração e na Eucaristia”.
Não tardou para que a Diocese de Franca soubesse da história e passasse a investigar. Na quinta-feira, em uma publicação no Facebook, foi escrito que a Igreja está apurando o caso e, quando tivesse um posicionamento, divulgaria.
Durante toda a tarde de ontem, a reportagem do Comércio da Franca tentou falar com o bispo Dom Paulo Beloto na Cúria e também em seu celular. Porém, nem ele nem o padre Cássio, pároco da igreja Santa Rita, foram localizados.
O monsenhor José Geraldo Segantin, vigário-geral da Diocese, também foi procurado e informou que apenas o bispo poderia falar sobre o caso.
Além disso, a ministra foi contatada. Seu filho confirmou o ocorrido, mas ninguém quis conceder entrevista.
Possíveis explicações
Para tentar entender o que aconteceu e como os objetos religiosos resistiram ao fogo, especialistas foram ouvidos. Para Maurício de Azevedo, que cursou teologia e é professor de arquitetura no Uni-Facef, há relatos na história da Igreja Católica de incêndios em que a cruz foi preservada. “Cada pessoa pode enxergar de uma forma. Pode ter ocorrido um ato de fé, uma intervenção. Para os católicos, isso significa que Deus estava preservando a teca, onde fica a hóstia, que é o corpo de Cristo”, disse.
O professor Guilherme Berteli Clemente, que dá aulas de engenharia na universidade, se impressionou com o caso, mas atribuiu o feito a uma possível reação química. “Pode ter se formado uma espécie de ‘bolsão de fumaça’ no material e ter bloqueado a presença de oxigênio. É a ausência dele que impede o fogo. Além disso, o material da teca é resistente. Se for condutor, ele absorve o calor e impede que isso passe para o papel e pegue fogo.”
Oração
Confira o texto impresso no folheto que resistiu ao incêndio
Deus, nosso Pai, eu te ofereço todo o dia de hoje. Minhas orações e obras, meus pensamentos e palavras, minhas alegrias e sofrimentos, em reparação de nossas ofensas, em união com o Coração de teu Filho Jesus, que continua a oferecer-se a Ti, na Eucaristia, pela salvação do mundo. Que o Espírito Santo que guiou a Jesus seja meu guia e meu amparo neste dia, para que eu possa ser testemunha do teu amor. Com Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, rezo especialmente pelas intenções do Santo Padre para este mês: para que os sacerdotes que vivem com dificuldade e na solidão o seu trabalho pastoral se sintam ajudados e confortados pela amizade com o Senhor e com os irmãos.
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