O REPUBLICANO AGE COMO SE PARA GOVERNAR NECESSITE CRIAR TRAMAS
No comando da maior nação do planeta, com o maior potencial bélico mundial, Donald Trump age como se estivesse na direção de um programa televisão. O apresentador não deixou o presidente dos Estados Unidos. O republicano age como se para governar o país necessite criar tramas, dramas, antagonistas e protagonistas, sempre aflorando as paixões e emoções da população mundial, deixando a todos em suspense. Trump é especialista em causar mal-estar em aliados, desafiar inimigos e tomar medidas radicais que enojam grande parte da população, agradando a poucos extremistas.
Trump foi eleito presidente com um discurso radical e perigoso que, cada vez mais, ganha simpatia em um mundo descrente da velha política. Pregando o nacionalismo, praticamente fechando o país em si mesmo - pelo menos nas palavras -, chegou ao comando da Casa Branca. Ameaçou militarmente a ditadura norte-coreana de Kim Jong-un. Desafia a China comercialmente, com sobretaxas a produtos importados do país asiático. Tenciona aliados com críticas e afirmações polêmicas. E para agradar seus eleitores, choca o mundo.
A disputa de palavras com o ditador da Coreia do Norte levou o mundo ao temor da iminente explosão de uma guerra nuclear sem precedentes. Neste caso, as ameaças terminaram em um aperto de mão histórico entre Trump e Kim, além da assinatura de acordo com um texto vago, mas que serviu para diminuir as tensões. O presidente americano levou o enredo ao extremo para sair como bom mocinho. Se fosse um seriado de televisão, o aperto de mãos seria o sinal de um final feliz. Mas como se trata do mundo real, as incertezas continuam. Com a China, Trump sobretaxa produtos e causa histeria nos mercados financeiros de todo o planeta. A disparada do dólar no Brasil é também reflexo disso.
Nos ataques aos parceiros históricos dos Estados Unidos, Trump causou nos últimos dias repetidas saias justas durante encontro da Otan, a aliança militar ocidental. Deixou a reunião prometendo que países signatários da aliança, a quem havia chamado de “caloteiros”, aumentariam os gastos com a organização de segurança, mas nenhum dos aliados confirmou. Na mais controversa medida, separou crianças imigrantes ilegais de seus pais. Nessa quarta-feira, por exemplo, três irmãos brasileiros, de 8, 10 e 16 anos, voltaram a se encontrar com sua mãe, após ficarem por quase dois meses em um abrigo.
Pela “audiência”, o artista-presidente ou presidente-artista leva a polêmica ao limite, na tentativa de se manter no topo das atenções. Trump vive uma realidade paralela. E as consequências de seus devaneios são sentidas por todos os habitantes da Terra.
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