O renascimento do etanol


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COMBUSTÍVEL VERDE VOLTA A GANHAR FORÇA E VIRA OPÇÃO FRENTE AO AÇÚCAR
 
O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar foi aposta do Brasil desde quando ainda era chamado de álcool. Em meados da década de 1980, com o fortalecimento do Pró-Álcool, o país testemunhou o surgimento de destilarias principalmente na região Centro-Sul. O setor viveu seu auge na primeira década deste século com o surgimento dos veículos bicombustíveis e mergulhou em desgraça quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) concentrou os investimentos e incentivos governamentais ao Pré-Sal. O foco do governo brasileiro desviou-se do produto verde, renovável, para apostar no petróleo. Sem alternativa, as empresas sucroenergéticas concentraram suas produções na fabricação de açúcar em detrimento ao etanol. O resultado foi a disparada no preço do combustível, que, via de regra, deixou de ser vantajoso frente à gasolina. Neste ano, porém, a situação se inverteu, com as usinas investindo na produção de etanol. As consequências já podem ser sentidas no bolso de cada motorista que abastece seu veículo. Em Franca, o litro combustível já é vendido por quase R$ 2, cerca de noventa centavos mais barato que há cerca de um mês. 
 
Relatório da safra de cana-de-açúcar 2018/19 divulgado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) nessa quarta-feira mostra que a produção de etanol nas usinas da região Centro-Sul do País registrou um aumento de 30,44%, atingindo a marca de 2,35 bilhões de litros. Os dados são referentes à segunda quinzena de junho. No mesmo período do ano passado, foram produzidos 1,80 bilhão de litros do combustível. Em contrapartida, a produção de açúcar caiu 23,69%. Os motivos do renascimento do etanol estão justamente nos preços do açúcar. Para as usinas, está mais vantajoso produzir o combustível. O consumidor, que está na ponta da cadeia, torce para que a situação se mantenha. Uma vez que a economia experimentada nas últimas semanas para encher um tanque chega a quase R$ 30. 
 
Abastecer com etanol se torna vantajoso quando o preço cobrado nas bombas é igual ou inferior a 70% do valor da gasolina. Na maior parte dos postos de Franca, essa proporção está abaixo dos 50%. E na cidade não precisa de calculadora na hora de abastecer. Uma lei municipal obriga os estabelecimentos a informarem essa relação. Basta procurar as placas afixadas perto das bombas.
 
Enquanto os consumidores festejam os baixos preços, o governo deve agir para que esta situação se firme. É preciso que a política da matriz energética nacional seja revista para garantir o fortalecimento de um combustível que está alheio às variações de humor do mercado internacional e que, além de tudo, é bem menos poluente que os derivados de petróleo. Agradecem os consumidores, respira com alívio o meio ambiente.

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