O escândalo de venda de registros sindicais é a mais nova denúncia de corrupção que envolve o Ministério do Trabalho e seus mandatários. A pasta, dentro do sistema de loteamento do governo central pela administração do presidente Michel Temer (MBD), é comandada pelo PTB. Desde o fim de dezembro do ano passado, quando o então ministro pediu demissão, o ministério mergulhou em uma série de tumultos, que atingiu seu ápice nesta semana, com a saída de Helton Yomura, indicado pelo partido, depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) o afastar da chefia da pasta. O caso escancara como partidos políticos usam da força de suas bancadas para pressionar os governos, quaisquer que sejam, por cargos e, uma vez neles, surripiarem os cofres públicos. Bandidos travestidos de políticos dominam importantes funções na administração pública para minar ainda mais a Nação.
A terceira fase da Operação Registro Espúrio foi deflagrada na última quinta-feira, com autorização do Supremo Tribunal Federal. O ministro Edson Fachin ainda determinou o afastamento do ministro do Trabalho, Helton Yomura, do cargo - a renúncia veio horas depois. A apuração mira esquema de fraudes e corrupção no Ministério do Trabalho. Também estão entre os alvos o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) e o chefe de gabinete de Yomura, Júlio de Souza Bernardes, que teve mandado de prisão temporária expedido. Segundo a PGR, “os investigados utilizam rotineiramente os cargos para viabilizar a atuação da organização criminosa e para solicitar tratamento privilegiado a processos de registros sindicais”. Tanto Yomura quanto o congressista estão proibidos de frequentar a pasta, além de ter contato com seus servidores e investigados no caso. Marquezelli só poderá ir até o órgão se considerado imprescindível para o exercício do mandato. Para isso, terá de enviar prévia justificativa ao STF.
Na segunda etapa da operação, a PF havia feito buscas no apartamento da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do presidente nacional do partido, Roberto Jefferson. Os dois são padrinhos do então chefe de gabinete de Yomura. Brasil é aquela mesmo do início do ano, que teve sua posse como ministra do Trabalho suspensa pela Justiça, por ter sido condenada em ações trabalhista. Enquanto o governo Temer brigava para garantir a posse, um vídeo da deputada em uma lancha, cercada de homens descamisados, questionando a decisão judicial, numa zombaria à dignidade brasileira.
As investigações agora ligam Brasil ao escândalo da venda de registros sindicais. O comando do Ministério do Trabalho, o PTB, Roberto Jefferson, Cristiane Brasil e Michel Temer são apenas a personificação do câncer que domina a administração pública nacional. O remédio está em nossas mãos.
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