Geleca caseira vira febre entre crianças e na internet


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Raphaela Medina, 10, produz slime em casa desde 2017 e aprendeu o passo a passo na internet . Foto: Gabriel Cabral/Folhapress
Raphaela Medina, 10, produz slime em casa desde 2017 e aprendeu o passo a passo na internet . Foto: Gabriel Cabral/Folhapress
Bruno Molinero
FOLHAPRESS
 
 
As mãos esticam, puxam, apertam, estendem e dobram a massa. Como se estivesse fazendo pão ou dando liga a um chiclete gigante, Raphaela Medina vê logo ganhar forma o brinquedo que virou febre na internet e nas escolas: a meleca caseira conhecida como slime.
 
Basta procurar no YouTube ou no Instagram para que receitas grudem na tela, ensinem a fabricar a gosma e mostrem como personalizá-la com corantes ou glitter.
 
Depois, é só brincar de esticar a massa como se não houvesse amanhã. “E vender para os amigos”, diz Raphaela, que comercializa o produto no colégio por valores de R$ 5 a R$ 15, dependendo do tamanho e da consistência.
 
Como já não existe bobo no mundo dos slimes, muitos clientes também aprenderam a fazer o produto. Se no ano passado a menina de 10 anos chegou a vender oito gelecas em um dia, hoje são duas por semana.
 
Os ingredientes
Independentemente da fórmula, dois ingredientes se repetem: cola branca e água boricada. Algumas levam ainda bórax, composto químico usado como inseticida -o canal Manual do Mundo, com mais de 10 milhões de inscritos no YouTube, ensina a fazer o brinquedo com esse ingrediente, por exemplo.
 
Os riscos
A Sociedade Brasileira de Pediatria, porém, alerta para riscos. 
 
De acordo com o médico Carlos Augusto Mello da Silva, presidente do Departamento de Toxicologia da entidade, o manuseio do bórax pode gerar intoxicação. O mesmo vale para a água boricada. “O uso por crianças pode ter efeitos imprevisíveis”, afirma Mello da Silva.

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