Voltemos à dura e triste realidade


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COM A ELIMINAÇÃO DO BRASIL NA COPA, É O MOMENTO DE FOCAR NA MUDANÇA política
Não era o que a maioria dos brasileiros esperava, não foi como quase toda a totalidade queria, mas a seleção brasileira está fora da Copa do Mundo de Futebol. A derrota por 2 a 1 para a Bélgica, na tarde dessa sexta-feira, na Rússia, acabou com o sonho do hexacampeonato e deve servir de despertador para a nação que chame atenção para os problemas que insistem a atormentar o País. A anestesia da realidade proporcionada pelo Mundial é saudável e necessária a um povo tão combalido, mas uma semana antes do esperado - a final da Copa será no próximo domingo, 15 de julho -, o destino, apoiado no desequilíbrio dos comandados do técnico Tite, decidiu nos acordar. Horas antes da partida que mandou o Brasil de volta para casa, foram divulgados dados da economia nacional. Os números quantificam as consequências da greve dos caminhoneiros no bolso de cada cidadão e, como todos puderam sentir, não são nem um pouco bons. 
 
O protesto dos transportadores que parou o Brasil no fim de maio fez subir a inflação de junho. O índice oficial de inflação no país, o IPCA, divulgado ontem pelo IBGE, subiu 1,26%. Foi a maior alta para o mês de junho desde 1995. Considerando todos os meses, foi o maior índice desde janeiro de 2016. Em maio, a inflação havia sido de 0,4%. O grupo de alimentos e bebidas teve a maior variação, de 2,03% em junho, na esteira do aumento de preços observado em razão da escassez de produtos nas prateleiras.
 
O leite longa vida, que teve alta de 15,63%, e o frango inteiro, que variou em 8,02%, registraram fortes altas em junho. A batata-inglesa, que disparou de preço nos principais centros de distribuição do país, teve alta de 17,16% em junho, após aumento de 17,51% em maio. Carnes bovinas ficaram 4,60% mais caras no período. Segundo o IBGE, desde janeiro deste ano que o grupo alimentos e bebidas não registrava alta superior a 2%. Como muitos alimentos ficaram retidos em bloqueios nas principais estradas do país, centros de distribuição e supermercados ficaram sem produtos importantes da cesta básica do brasileiro. Após o fim da paralisação, houve uma corrida dos consumidores aos mercados, o que postergou por alguns dias a volta à normalidade no abastecimento.
 
A greve dos caminhoneiros é um exemplo de como a ira da população - neste caso uma categoria - contra um governo acéfalo repercute diretamente na vida de cada cidadão. Mas, a questão não é a reação, mas sim o causador do problema: o próprio governo. Mudar esta situação depende de nós. Assim como a Copa do Mundo de Futebol, as eleições acontecem de quatro em quatro anos. Elas estão marcadas para daqui a apenas três meses. É a nossa chance.

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