Datena e a carência do Brasil pelo novo


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APRESENTADOR SE AFASTOU DA BAND PARA DISPUTAR UMA VAGA NO SENADO Federal
 
As eleições de 2018 já estão marcadas pelas expectativas frustradas de uma renovação no cenário político nacional. Cansados de anos e anos das mazelas e corrupção que dominam o Planalto Central, os eleitores brasileiros aparentavam estar motivados a renovar os quadros de comando do País. A motivação, porém, ficou apenas na pretensão. Nomes populares chegaram a ser cogitados como a esperança pelo novo, pela mudança. Mas nenhum se concretizou. O apresentador Luciano Huck figurava entre os prováveis candidatos ao Planalto. O não da Rede Globo para as intenções eleitoreiras do animador de auditório foi determinante para o seu recuo. Muita festa também foi feita em torno da filiação do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa ao PSB, no final do prazo para a disputa eleitoral deste ano. E mais uma vez a frustração: dias depois, o ex-ministro descartou a candidatura. Em São Paulo, restou o também apresentador de televisão José Luiz Datena. Na última semana, o funcionário da Rede Bandeirantes lançou sua pré-candidatura ao Senado pelo DEM.
Em um país combalido com a crise econômica, resultado de desgovernos, a insatisfação com a classe política atinge números que impressionam. As recentes pesquisas de intenção de voto traduzem a insatisfação em dados. A soma de eleitores que pretendem anular ou votar em branco e os que se dizem sem candidatos giram em torno de 50% na maioria dos levantamentos. Metade dos brasileiros aptos a votar demonstra estar nem um pouco interessada no pleito de outubro, quando serão eleitos os novos presidente da República e governadores de Estado, além de senadores, deputados federais e estaduais. O desinteresse atinge proporção tão grande quanto a importância desta eleição.
A explicação está no desalento que domina o país. Com o ritmo lento da recuperação econômica do Brasil, o desânimo domina os eleitores brasileiros, que não veem nos atuais políticos lideranças capazes de tirar a Nação desta situação de marasmo. E mais: não se sentem representados pelos detentores de mandatos eletivos. Prova maior é a reprovação recorde do governo Michel Temer (MDB). O líder máximo da República é a personificação de uma classe desprestigiada, que chega a causar repugnação nos seus governados. 
Os candidatos de fora do meio político, os chamados outsides, representam a mudança tão esperada pela população. Mas a depender dos nomes apresentados até agora, tudo seguirá como está. O fato de Datena ser o diferente nas eleições paulistas já garantiu a ele a disputa pelo primeiro lugar nas pesquisas eleitorais para o Senado, com Eduardo Suplicy (PT). Neste ano, os paulistas elegem dois senadores. O fenômeno Datena é a concretização da carência de representatividade dos brasileiros. Tal cenário, para tristeza de quem defende o novo, deve perdurar por pelo menos mais quatro anos.

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