O cadastramento biométrico obrigatório realizado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) resultou no cancelamento de 6.369 títulos de eleitores em três cidades da região. Em números absolutos, a maior queda foi verificada em Pedregulho. Suspeita de fraudes em transferências de domicílios e descrença com a política são as principais causas.
Foi, justamente, pelo indício de irregularidade em Jeriquara que a Justiça decidiu fazer a revisão eleitoral. Em 2016, o secretário do PT, José Arquias Ferreira Alves, hoje presidente da Câmara, encaminhou requerimento ao TRE pedindo que fosse feito novo cadastramento na cidade, que tinha mais eleitores que habitantes.
“Jeriquara tem 3.216 habitantes e 3.491 eleitores. Deveríamos ter, descontando a faixa da população com até 16 anos, que não pode votar, no máximo 2.100 eleitores”, disse Alves. Ele acredita que os eleitores extras transferiram seus títulos em troca de dinheiro e favores políticos. “São pessoas que só aparecem de quatro em quatro anos. Não é à toa que Jeriquara possui um dos maiores índices de abstenção do Estado nas eleições para presidente e governador.”
Situação semelhante também ocorre em Rifaina. Nas últimas eleições, a cidade tinha 3.436 habitantes e 4.727 eleitores aptos a votar. Como os números dos municípios levantaram suspeitas, a Justiça Eleitoral determinou que o cadastramento biométrico fosse realizado na Comarca de Pedregulho, que abrange as duas cidades.
Após o procedimento, concluído em maio, Pedregulho perdeu 4.142 eleitores, passando a ter um colégio eleitoral de 10.852 pessoas aptas a votar. Em Jeriquara, 955 eleitores tiveram os títulos cancelados. O número atualizado ficou em 2.738. Já em Rifaina, 1.272 pessoas tiveram o título cancelado e a soma final de eleitores ficou em 3.695.
“No caso de Pedregulho, notamos que foi mais uma descrença com a política. Tivemos muita dificuldade em convencer os eleitores a fazerem a biometria, pois eles estão contrariados e não querem votar. Já em Jeriquara e, em menor número, em Rifaina, que é uma cidade turística e tem muita gente de fora, há a suspeita de irregularidade, sim”, disse Flávia Xavier Martins, chefe do cartório eleitoral da Comarca.
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