'As leis brandas fazem o crime compensar'


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Quase 29 anos dedicados à Polícia Militar e à comunidade. Assim tem sido a vida do policial Sérgio Fabbris, de 49 anos. Desde o dia 11 de junho, ele é o novo responsável pelo 15º BPMI (Batalhão de Polícia Militar do Interior), que abrange Franca e outros 22 municípios.
Fabbris ingressou na instituição como aspirante a oficial na Academia do Barro Branco e, ao sair, trabalhou na zona Sul de São Paulo. De lá, foi para Ribeirão Preto, onde ficou por um mês antes de ser transferido para Franca. Em 1994, como segundo tenente, ele veio para a cidade como responsável por comandar o Patrulhamento Tático Móvel, hoje Força Tática. Ficou na cidade por um ano e, depois, foi para Ribeirão Preto, onde ficou a maior parte de sua carreira. Enquanto isso, promoções aconteceram e, hoje, é tenente coronel.
No 15º Batalhão, é ele quem comanda 850 policiais distribuídos pelos municípios de atuação e garantiu: pretende desempenhar um trabalho de excelência, seguindo os passos de seu antecessor, Valdemir Guimarães Dias, e reduzir ainda mais os índices criminais de Franca. “Para isso, preciso contar com toda a comunidade. Não há polícia sem população”, disse. Recentemente, ele recebeu a reportagem do Comércio e falou sobre trabalho, crimes e fez uma análise do trânsito e das 33 mortes ocorridas em menos de seis meses nas ruas e rodovias da cidade. 
 
Por que o senhor decidiu se tornar policial militar?
Acho que foi por questão de vocação. Fiz Tiro de Guerra, gostei e a Polícia Militar tem características semelhantes com a atividade. Isso e o fato de poder ajudar a comunidade, dedicando-se a uma causa pública, chamaram minha atenção. Acredito que a PM não exista sem a população e que foi criada justamente para ajudar e proteger as pessoas.
 
Como foi a sua primeira passagem por Franca e como é retornar para a cidade?
Quando estive aqui, fui muito feliz. Foi muito bom porque os policiais daqui são muito engajados. A maioria é de Franca e não quer sair da cidade. Dedica-se ainda mais. O serviço rende. Por isso escolhi voltar para Franca. Os policiais daqui são compromissados com a missão de bem servir a comunidade, e minha meta é de continuar com o excelente trabalho que já vem sendo desenvolvido, melhorando e aperfeiçoando nossas ações. 
 
Apesar de Franca ter reduzido os números de crimes contra o patrimônio do ano passado até agora, a violência continua. Isso porque, em roubos, vê-se bandidos muito agressivos. O que fazer para diminuir isso e seguir nessa queda nos delitos?
O trabalho desenvolvido com o Valdemir à frente do Batalhão foi muito bom. Os números caíram. Pretendo continuar com isso. Com relação aos índices criminais, fazendo um comparativo do período de janeiro a maio de 2017 com o mesmo período de 2018, houve queda nos índices de assaltos e furtos. Houve redução de 39% nos roubos comuns (quando há ameaça e/ou violência); 55% nos roubos de veículos; diminuição de 18% no furto de veículo e de 12% nos furtos comuns. Além disso, tivemos uma redução de 19% no crime de homicídio, o que demonstra que não há aumento de violência em Franca. Nossa intenção é de continuar na busca por uma diminuição ainda maior, além de reduzir a letalidade no trânsito e, dessa forma, aumentar a sensação de segurança da população.
 
Como o senhor enxerga a inserção cada vez mais precoce de adolescentes no mundo do crime?
Quando criamos o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), criamos válvulas de escape. Creio que a redução da maioridade penal deva ser avaliada. É um assunto polêmico. Mas acredito que, se voltarmos a ter uma família que realmente tome conta de seus filhos e se houver leis mais rígidas, conseguiremos pensar nisso melhor. Independente da idade, as nossas leis são brandas e fazem o crime compensar. Há muitas brechas. Por exemplo: uma pessoa que foi condenada a nove anos de prisão, se fica três anos na cadeia, ainda é muito tempo diante das nossas leis. Alguém que furta um carro hoje e é pego, sai no dia seguinte na audiência de custódia. Isso precisa ser avaliado. 
 
O furto, considerado um crime de menor potencial ofensivo, pode ser visto como uma ‘porta de entrada’ para delitos mais graves. É comum nos depararmos com o mesmo ladrão furtando seguidas vezes em uma semana ou um mês. Ele logo é colocado em liberdade. O que o senhor pensa a respeito?
Com o abrandamento da lei nos crimes apenados até quatro anos, seus autores, em sua grande maioria, são liberados após a realização da audiência de custódia. Portanto, faz-se necessário uma mudança na legislação, já que a Polícia Militar realiza o policiamento preventivo e repressivo imediato diuturnamente.
 
A respeito do tráfico de drogas, tão presente na realidade da cidade, do Estado e do País: o que pode ser feito?
A polícia faz um trabalho paliativo. Lida com as consequências, não com as causas do uso e da venda das drogas. O policiamento não faz uma recuperação social. Prendemos quem vende, mas não tratamos quem usa. É necessário que existam políticas públicas voltadas para isso e também um trabalho da família, que muitas vezes é desestruturada. A degradação social é o que causa tudo isso.
 
Um problema que preocupa autoridades e moradores de Franca é o trânsito. Em menos de seis meses, já foram 33 mortes nas ruas e perímetro urbano das rodovias. O que fazer?
A PM não mede esforços na busca pela redução desses números, realizando, constantemente, campanhas educativas, palestras, operações e intensificação na fiscalização. Mas cabe ressaltar que é necessário e primordial a conscientização de todos os usuários das vias, condutores e pedestre. Somente respeitando as normas de trânsito é que haverá uma redução no número de acidentes e consequente diminuição da letalidade no trânsito de Franca. Dessas mortes, 13 ocorreram em rodovias, sendo 11 em estaduais, nas quais não temos competência para atuação. O número de autuações também aumentou e é uma consequência da atuação dos condutores. Acreditamos que, com o aumento da fiscalização, a tendência é que haja uma redução na ocorrência de acidentes. Além disso, os radares têm importante papel na busca por essa redução.
 
Quais as próximas ações que a PM pretende fazer para tentar reduzir o número de mortes no trânsito?
No próximo dia 26 será realizada uma reunião com todos os representantes dos órgãos que atuam no trânsito e uma encarregada do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito do Estado de São Paulo. O objetivo é de analisarmos o problema e traçar novas estratégias para reduzir a letalidade no trânsito de Franca. Além disso, no ano passado, foi realizada a campanha “Pare, dê preferência ao pedestre”. O trabalho envolveu PMs, Secretaria Municipal de Segurança, Detran, Tiro de Guerra, grupo Mulheres do Brasil e o Rotary. Essa ação será complementada e novamente realizada neste ano.

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