EXPECTATIVA DE QUE MERCADO DE TRABALHO SE RECUPERARIA FOI POR ÁGUA ABAIXO
O Brasil iniciou 2018 com a sensação de que finalmente, após quatro anos de desemprego só aumentando, um alívio, mesmo que pequeno, seria sentido no mercado formal de trabalho. A realidade, porém, veio pôr fim à esperança, com os números frios e cruéis registrados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, relativos ao mês de maio. A recuperação acabou. O levantamento mostra que voltamos aos mesmos níveis de 2017, e o emprego com carteira assinada pouco avançará - isso, se avançar. O mês passado foi o pior deste ano e, pela primeira vez, ficou abaixo que o mesmo período do ano passado. A instabilidade política, as eleições de outubro e o malfadado governo de Michel Temer (MDB) patrocinam o cenário nem um pouco promissor, agravado mais recentemente com as consequências da greve dos caminhoneiros.
A criação de 33,7 mil empregos com carteira assinada no mês passado caiu em relação a maio de 2017, quando foram gerados 34,3 postos de trabalho. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que o saldo positivo em maio foi puxado pela agropecuária, com criação de 29,3 mil vagas, e serviços, com 18,6 mil. A construção civil fez 3,2 mil novas contratações. O pior resultado foi registrado no comércio, que encerrou 11,9 mil empregos. Em seguida, aparece a indústria de transformação, cujas demissões superaram as contratações em 6,5 mil.
Em Franca, a situação, quando analisados os setores da economia, é diversa da realidade nacional. Mas, ao considerar-se o resultado total, a situação é mais preocupante. Diferentemente do cenário visto no Brasil, em Franca a indústria foi a maior impulsionadora do mercado de trabalho, com a geração de 4 mil novas vagas entre os meses de janeiro e maio deste ano, seguida do setor de serviços, com 1.350. A área comercial, apesar de apresentar números pequenos, demonstrou uma recuperação. Nos primeiros cinco meses deste ano, abriu 89 postos de trabalho; no mesmo período de 2017, havia eliminado 249 vagas com carteira assinada. Enquanto no Brasil, os números de janeiro a maio apontam para uma melhora em 2018 contra o ano passado, em Franca mostram uma desaceleração. Neste ano, a cidade abriu 300 vagas a menos.
Maio ainda não reflete a paralisação dos caminhoneiros. Junho deve ser pior, projetam economistas. O problema não é a greve em si. Mas, sim, a desconfiança do empresariado. “Um elemento muito relevante da greve foi que adicionou grau de incerteza sobre a economia brasileira. Para um empregador, isso pode levar à postergação de planos”, ressalta o pesquisador do iDados e Ibre/FGV, Bruno Ottoni. A incerteza dos empresários é a mesma que assola os trabalhadores. Vítima de repetidos desgovernos, a sociedade brasileira vive em busca de dias melhores, que às vezes se mostram, mas logo desaparecem. Que 2018 e o governo Temer terminem logo.
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