'Premeditou', diz mãe de mulher que esfaqueou bebê


| Tempo de leitura: 3 min
Casa onde aconteceu o crime na última quarta-feira. A responsável foi presa em flagrante
Casa onde aconteceu o crime na última quarta-feira. A responsável foi presa em flagrante
“Ela é uma pessoa vingativa, difícil de lidar e sempre foi muito nervosa. Mas nunca imaginei que faria isso. Só quero entender o que aconteceu.” Foi dessa forma que a diarista Hercilene Funchal, de 42 anos, definiu a própria filha, a desempregada Franciele Funchal, 20. A jovem, que está presa, é acusada de tentar matar o próprio sobrinho, de apenas 1 ano e 8 meses, na última quarta-feira.
 
Hercilene mora em uma casa do Jardim Paulistano com quatro de seus seis filhos: Franciele; Brena Funchal, 18, que é mãe da vítima; um adolescente de 16 anos e outro de 4 anos. Além dos filhos, ela divide o teto com três netos, sendo o menino esfaqueado e duas das três crianças de Franciele, que possuem 2 e 3 anos de idade. A caçula da desempregada, de 1 ano, mora com um irmão da diarista no City Petrópolis.
 
A movimentação intensa de crianças na casa e várias pessoas dividindo o mesmo teto eram motivos de alegria para a diarista. Até a última terça-feira, quando, ao chegar em casa, deparou-se com tudo revirado. “Estava tudo bagunçado e havia um caderno com duas ameaças para a Brena. Alguém escreveu ‘você vai morrer’ e ‘você nunca será feliz’. Ficamos com medo.” Segundo Hercilene, a jovem, que está grávida do segundo filho, se assustou com o aviso, mas não imaginava que ele vinha da própria irmã. “Ela ainda falou que poderiam fazer qualquer coisa com ela, menos com o menino.” Com medo, Brena cogitou até a possibilidade de não trabalhar no dia seguinte.
 
Mas, convencida pela diarista, Brena foi com a mãe e uma irmã trabalhar em uma plantação de café em São José da Bela Vista. Como de costume, Franciele deveria levar as crianças para a creche, o que não aconteceu. “Acredito que ela agiu de forma premeditada, pois deixou o bilhete e, depois, não levou os meninos. Ficou com eles em casa para fazer isso com meu neto. Também sumiu com meu celular na véspera do crime. Acredito que foi uma forma de impedir que nos avisassem do acontecido com o menino.”
 
Porém, não adiantou. Horas depois, a família soube que a criança estava na Santa Casa. Os motivos não eram claros. Segundo a diarista, Brena só soube que o filho fora esfaqueado pela tia quando viu uma reportagem sobre o caso na televisão. Da casa em que estava ela seguiu para a Santa Casa, onde acompanha o filho desde então.
 
A respeito da motivação, além do nervosismo da filha, Hercilene atribuiu a uma possível rivalidade das irmãs. “Há um tempo a Franciele rasgou a foto do namorado da Brena, que é o pai do filho que ela espera. Pelo que eu sei, quando nos mudamos para cá, ela estava de olho nele. Pode ter sido isso. Mas não entendo. Se queria se vingar da irmã, com quem sempre brigava, por que fazer isso com o menino, que é inocente?”, questionou, emocionada.
 
O caso
O menino deu entrada na Santa Casa depois de ser socorrido com pelo menos seis perfurações feitas com uma faca. Sob o argumento de que “estava nervosa e tinha um assunto pessoal” com a irmã, que é mãe do menino, Franciele foi até o quarto onde a vítima estava. Segundo a acusada, o menino estava chorando e, por isso, ela colocou uma sacola de plástico em sua boca e passou a golpeá-lo.
 
Ainda de acordo com sua versão, ao perceber o que fez e ter se arrependido, ela largou o menino no quarto e correu até a rua para pedir ajuda aos vizinhos, que acionaram o Samu. Pouco depois, Franciele foi presa por tentativa de homicídio triplamente qualificado.
 
Estado de saúde
De acordo com Hercilene, ontem à tarde, o menino já havia saído da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa e está em um dos quartos. “Graças a Deus, ele melhorou um pouco e conseguiu descer da UTI. Agora Deus vai ajudá-lo a sair logo de lá e ficar com a gente aqui em casa”, disse, emocionada.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários