Beyoncé e Jay-Z falam de amor e orgulho negro


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Beyoncé e Jay-Z falam de amor e orgulho negro em novo álbum 'Everything Is Love'
Beyoncé e Jay-Z falam de amor e orgulho negro em novo álbum 'Everything Is Love'

RAFAEL GREGORIOSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Beyoncé e Jay-Z encerram uma trilogia não oficial com "Everything Is Love". O trabalho sucede "Lemonade" (2016), disco dela com citações a infidelidade e depressão, e "4:44" (2017), o álbum dele de confissões, angústia e culpa.

Sonoramente, sobressai o hip-hop de um sobre o rhythm and blues de outra - Beyoncé inclusive rima, e bem. Mas são os significados ocultos que têm concentrado o debate.

Ao ouvinte se abre uma terapia de casal. Se a narrativa é embalada para consumo, os temas são universais: amor, casamento, filhos, a conexão sob prova e a recompensa aos que sobrevivam à turbulência.

Reconciliados, os Carters disparam contra tudo e todos: o Grammy, a polícia, os rappers Kanye West e Drake. Ele esnoba a liga de futebol americano ("Disse não ao Super Bowl: vocês precisam de mim, não preciso de vocês"); ela, o Spotify ("Se não cagasse para números, teria colocado 'Lemonade' no Spotify").

O verso ecoa a briga de três anos atrás com a gigante do streaming; supostamente revoltado com baixos rendimentos destinados a artistas, Jay-Z comprou a empresa responsável pela plataforma Tidal e abriu concorrência na unha.

Daí que as nove músicas de "Everything Is Love" e uma faixa bônus, "Salud!", tenham sido lançadas primeiro no Tidal.

Na segunda (18), porém, a exclusividade caiu, e o conteúdo apareceu nas plataformas, em duas versões: uma, com todos os "fucking" e "motherfucker", mas com "parental advisory" (aviso aos pais); e outra, com brancos sonoros nos lugares dos palavrões.

Trata-se de recurso usado por artistas para evitar que canções sejam interditadas de playlists e destaques, alcançando mais o público jovem.

Desse detalhe se depreende um elemento essencial: a dupla fala grosso, mas não a ponto de abrir mão dos "cheques e dividendos" sobre os quais se gabam em "Apeshit".

Afinal, como todo casal magnata, Beyoncé e Jay-Z só pensam naquilo: dinheiro.

O título do trabalho não diz que "o amor é tudo", mas que "tudo é amor". A ordem dos fatores altera o produto: os Carters presentearam o mundo com uma declaração sentimental ou elevaram ao estado da arte a habilidade de transformar drama em grana?

Jay-Z é o rapper mais rico do mundo, com patrimônio equivalente a R$ 3,38 bilhões. E Beyoncé tem R$ 1,3 bilhão - é a artista mais bem paga do mundo hoje, à frente, por exemplo, de Madonna.

Está tudo ali, em citações a faturas, carrões e outros luxos, além de provocações aos círculos de poder brancos: "Meus tataranetos já [são] ricos/ Isso é um monte de criança marrom na lista da Forbes".

Essa riqueza se dilui em um discurso de militância cujos ecos resvalam na sonoridade, que tangencia gêneros nascidos em guetos negros, como o raggamuffin e o Miami bass.

Ostentação despudorada e orgulho negro são aparentemente incompatíveis frente à pobreza relativa das populações negras, mas não para Jay-Z e Beyoncé; como mais ninguém faria, equilibram um e outro com legitimidade.

As músicas, é verdade, não são tão boas quanto as dos discos anteriores - em especial "Lemonade", de uma ferida Beyoncé. Por outro lado, os predecessores foram, para muitos, os ápices das carreiras de ambos os artistas.

A capacidade de mobilizar paixão e curiosidade torna relevante ouvir "Everything Is Love" e tirar as próprias conclusões; é uma virtude e tanto.

EVERYTHING IS LOVE

The Carters. R$ 33,80 a R$ 67,60 no Tidal; disponível também no Deezer, iTunes e Spotify.

AVALIAÇÃO Bom

 

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