Qualidade de vida garante a paz


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Franca ocupa o privilegiado grupo dos municípios menos violentos
Q uanto melhores os índices sociais de uma comunidade, menores são as taxas de violência que atingem sua população. Onde há educação, saúde e oportunidade de emprego, onde há desenvolvimento humano, ali predomina a paz. A constatação é do Atlas da Violência 2018, uma publicação em parceria entre o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo escancara um abismo entre as cidades mais violentas e os municípios que apresentam as menores taxas de mortes não naturais no Brasil. Desenvolvimento econômico e acesso a infraestrutura de qualidade e habitação, por exemplo, inibem a matança que domina o país.
 
A paz, assim como o desenvolvimento social, é privilégio de alguns “oásis” espalhados principalmente pelas regiões Sul e Sudeste. Em números totais, o Brasil mata mais que nações em situação de guerra declarada. De acordo com o mesmo Atlas, nos últimos 11 anos, 553 mil pessoas foram assassinadas no país. Na Síria, que enfrenta uma guerra civil há sete anos, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), são 500 mil mortos. Os dados do Atlas 2018 são relativos a 2016, auge da recessão econômica que atingiu o Brasil, ano em que os brasileiros testemunharam uma explosão no número de assassinatos. Naquele ano, foram 62.517 mortes violentas, atingindo uma taxa recorde de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes.
 
Ao cruzar os dados das mortes disponibilizados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, com indicadores de educação infantojuvenil, gravidez na adolescência, habitação, mercado de trabalho, pobreza e vulnerabilidade juvenil, o Atlas da Violência mapeou a triste desigualdade que impera no Brasil. Educação, acesso a água tratada, coleta de esgoto e lixo, oportunidade de emprego aos jovens são fatores que determinam, conforme sugere o estudo, a paz ou a violência.
 
Franca ocupa o privilegiado grupo dos municípios menos violentos do país. Entre as 309 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, Franca é a 25ª no Atlas, com 10,4 assassinatos para cada 100 mil habitantes (leia texto na Página 6A). Para o delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), “a educação é primordial para a segurança pública”. O baixo número de mortes violentas, em comparação com o restante do país, é consequência direta, além das ações das autoridades policiais, do bem-estar que a cidade garante a sua população. 
 
Apesar de ter uma das menores arrecadações de municípios do mesmo porte no Estado de São Paulo, Franca dá mostras que, sim, é possível garantir qualidade de vida à comunidade. Qualidade esta que se traduz em paz.

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