Despencou


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Recente pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha aponta que o Governo de Michel Temer é considerado ruim ou péssimo por mais de 80% da população brasileira. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O interessante é que entre as mulheres a sua avaliação é pior do que entre os homens.
 
O levantamento demonstrou ainda que a reprovação ao governo do Presidente Temer aumentou, consideravelmente, após a greve dos caminhoneiros, exatamente em razão de nada ter sido previamente feito por ele para evitá-la. Era uma greve anunciada e o seu descaso acabou obrigando-o a ceder em quase todas as reivindicações da categoria, sob pena de se instalar o caos no país.
 
A rejeição popular de Michel Temer é a mais alta alcançada por um Presidente da República, desde a redemocratização do país. Nem mesmo o Ex-Presidente Fernando Collor de Mello, no auge da crise que o retirou da Presidência, no início dos anos noventa, alcançou uma reprovação tão alta da população brasileira. Aliás, provavelmente, nem mesmo os monarcas sanguinários da Roma Antiga ou da idade média, alcançaram índices tão altos de reprovação popular.
 
Evidente que o resultado da pesquisa é fruto da soma de vários fatores. Corte nas verbas para a educação e o desporto. Índices alarmantes de criminalidade em todos os Estados da Federação. Perda do poder aquisitivo, especialmente da classe média. Saúde pública em frangalhos. Falta de política habitacional e, principalmente, as graves denúncias de atos de corrupção envolvendo o próprio Presidente, Assessores diretos e o seu partido.
 
O fato no entanto, serve para comprovar que a nossa democracia está sólida e as instituições funcionando adequadamente, pois índice tão baixo de popularidade de um governante, em qualquer país presidencialista de democracia fragilizada, já teria sido motivo mais do que suficiente para a deposição do mandatário, através de métodos nada institucionais e republicanos.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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