Bandidos sobre rodas


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LEI SECA COMPLETA 10 ANOS, MAS BÊBADOS CONTINUAM DIRIGINDO
Nesta terça-feira, 19 de junho, a Lei Seca completa 10 anos em vigência. Com o objetivo maior de evitar mortes no trânsito causadas por motoristas bêbados, a legislação foi responsável por importante avanço. O tamanho da importância, porém, não foi seguido pela dimensão do avanço. A lei é extremamente importante em punir com grande rigor bêbados que insistem em assumir a condução de veículos automotores sob o efeito de álcool. Os efeitos dela, porém, não foram suficientes, mesmo ao longo de uma década, para extirpar os bandidos do trânsito. Ainda hoje motoristas embriagados continuam matando inocentes nas vias brasileiras. Ainda hoje famílias são despedaçadas apesar da existência da lei criada justamente para evitar as tragédias. A culpa, como sempre, é dos próprios criminosos que desafiam a legislação e fazem de seus veículos verdadeiras armas. Ao declarar tolerância zero ao volante, o Brasil viu o número de autuações crescer ano a ano, mas o comportamento dos motoristas continuou o mesmo.
 
Uma família de Franca vive os impactos da tragédia causada por, de acordo com a Polícia Militar, um motorista embriagado. O aposentado Mauricio Guilherme da Silva, 75, foi atropelado por um Honda Civic na noite do último sábado, quando tentava atravessar a avenida Dr. Chafic Facury, próximo ao cruzamento com a Eliza Verzola Gosuen, no prolongamento do Jardim Ângela Rosa. O motorista do carro fugiu do local, mas acabou preso. Segundo a PM, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas confessou ter bebido. Foi parar na cadeia, por consequência de um novo endurecimento na Lei Seca. Desde abril deste ano, o motorista embriagado envolvido em acidente de trânsito que resulte em vítimas com ferimentos graves ou morte pode ser condenado a cinco ou oito anos de prisão, respectivamente, o que torna o crime inafiançável.
 
Dados do Detran-SP mostram que das 12,7 mil abordagens realizadas pelo órgão em 2013, 9,6% resultaram em autuações por recusa de fazer o teste do bafômetro ou por estarem alcoolizados. No ano passado, os testes chegaram à marca de 78 mil, com 6,6% de autuações. A redução de três pontos percentuais é muito pequena, em comparação com o universo pesquisado, que aumentou mais de seis vezes. Uma pesquisa com pacientes do SUS aponta que 6,7% dos entrevistados, no ano passado, admitiam dirigir após ingerir álcool. Em 2013, o número foi o menor da série - 5,2% -, que sempre oscila entre 6% e 7%. No último domingo, em apenas um ponto da cidade, em um intervalo de somente três horas, a PM flagrou 12 bêbados ao volante. 
 
Os números mostram que a lei não é capaz mudar o comportamento dos inconsequentes do trânsito. Neste caso, o maior rigor e mais operações nas vias do Brasil são fundamentais para acabar com os assassinos sobre rodas.

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