'Estão todos bem' em exibição no 'Cinema & Psicanálise'


| Tempo de leitura: 2 min

Maria Luiza Crisóstomo Piantino
Especial para o Comércio

O filme a ser exibido no Cinema e Psicanálise, no Centro Médico de Franca, neste sábado, Estão todos bem, de 2009, é dirigido por Kirk Jones. Trata-se de uma refilmagem de um título italiano, dirigido por Giuseppe Tornatore em 1990. O filme de 2009 apresenta Robert de Niro no papel de um pai tentando reatar as ligações com seus filhos. Em 1990 o papel coube a Marcelo Mastroianni. A trilha sonora de Paul McCartney é belíssima. Kate Beckinsale, Sam Rockwell e Drew Barrymore interpretam os filhos de Frank (Robert de Niro).

A tônica do filme são os relacionamentos humanos e assuntos e conflitos próximos a muitos de nós. Através da história de Frank vamos percebendo como podemos correr o risco de construir nossos relacionamentos de uma forma ilusória. Imaginar que as pessoas vão se desenvolver, crescer como gostaríamos que elas fossem, e elas, por sua vez, nos deixar acreditar que são o que esperamos delas.

Kirk Jones faz um paralelo belíssimo entre a viagem que Frank faz pelos Estados Unidos (Nova York, Chicago, Denver e Las Vegas) e a viagem dentro de si mesmo para o re-conhecimento de quem são realmente seus filhos.

A atuação de Robert de Niro, como o pai em busca de seus verdadeiros filhos, é perfeita. Ele interpreta um homem comum, aliás, um papel diferente do qual estamos acostumados a vê-lo. É um viúvo, aposentado, com sequelas nos pulmões, consequentemente com a saúde fragilizada, que faz uma viagem para se reunir com cada um de seus filhos, já que estas relações eram mantidas apenas por sua esposa. De uma maneira simples, Frank pergunta para cada um dos seus filhos: “Você é feliz? ” E o encontro com os filhos vai se processando em dois níveis: um aparente, conscientemente aceitando a realidade que vê, querendo acreditar que todos estão bem. E em outro nível, vai reunindo imagens, impressões, e através de uma cena forte e comovente, como em um sonho, as percepções se juntam, e ele percebe os filhos como realmente são.

Todo o desdobramento do filme é feito de uma maneira que o espectador vai, devagar, vivendo junto com Frank suas emoções e suas descobertas.

O filme abre um espaço para mostrar a necessidade de conhecer verdadeiramente o outro, deixando de lado as ilusões

Por falar de relacionamento humano: pais, filhos, irmãos, marido, mulher, homossexualidade, este filme é perfeito para uma boa e fértil discussão em grupo.

Convido vocês para juntos assistirmos ao filme e conversarmos sobre essas questões.


 

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