A desigualdade nas eleições


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Eles estão em lados opostos, mas convergem em pelo menos um ponto: a falta de representatividade feminina entre os candidatos nas eleições gerais que acontecem em outubro. De acordo com levantamento feito pela agência de notícias Folhapress, o MDB, do presidente Michel Temer, o PSDB, do pré-candidato à Presidência Geraldo Alckmin, e o PSL, do também postulante ao Planalto, Jair Bolsonaro, têm 42 pré-candidaturas a governos de Estados ou do Distrito Federal. Dessas, o número de mulheres não atinge nem a marca de 10%, que já seria pífia. A desigualdade de gêneros, porém, não é exclusividade dessas três siglas. Ainda de acordo com a mesma pesquisa, até agora, existem 175 pré-candidatos a governador nas 27 unidades da Federação, sendo apenas 27 mulheres - elas são apenas 15% do total. O índice está três pontos percentuais acima do verificado nas últimas eleições, disputadas em 2014, e cinco em relação a 2010. Mas está muito longe do ideal em um país formado em sua maioria por mulheres.

Para a cientista política, professora da Universidade Federal da Bahia e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP (Universidade de São Paulo) Teresa Sacchet, a ausência de mulheres nas disputadas eleitorais não é uma exceção, mas norma. “Se não houver medidas legislativas que forcem os partidos a colocar mais mulheres como candidatos, vão continuar dando preferência aos homens, por considerar que eles são mais articulados e pelo fato de as direções executivas dos partidos serem compostas na maioria por homens”, defende a pesquisadora.

Já a pesquisadora e professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Luciana Ramos, vai além. Para ela, “o gargalo nos partidos deriva de uma cultura patriarcal, que determina que o lugar da mulher é no espaço privado, cuidando da família, e não no público. As atividades partidárias, por vezes, constituem a terceira ou quarta jornada que acumulam”. “Aquilo que a sociedade exige da mulher não está em conformidade com aquilo que ela poderia fazer. Quando se diz que as mulheres podem tudo, é mentira, porque se exigem várias coisas que impedem de fato a sua vontade política de se candidatar.”

Este domínio masculino dentro dos partidos e, consequentemente, nas eleições é sim decorrente da cultura brasileira. Houve avanços nesses traços machistas que impregnam a Nação de Norte a Sul do País, mas há um longo caminho a ser percorrido para que a igualdade seja concretizada, primeiramente, na sociedade como um todo e, depois, na política. Se não mudarmos nossa mentalidade, nenhuma lei será capaz de alterar nossa realidade.

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