A líder indígena e pré-candidata a vice-presidência da República pelo Psol na chapa encabeçada por Guilherme Boulos, Sônia Guajajara, visitou Franca nesta quarta-feira. Maranhense, Sônia se tornou a primeira índia a estar no processo de disputa pela presidência da República. Entrevistada pelos jornalistas Leandro Vaz e Corrêa Neves Júnior no programa Hora da Verdade, da rádio Difusora, Sônia defendeu uma mudança na maneira como o agronegócio é conduzido no país. Segundo ela, que no inicio da manhã participou de um encontro na Unesp, por anos o caminho escolhido por parte da esquerda brasileira para participar dos debates nacionais eram os protestos e os movimentos sociais. Nos últimos tempos, a decisão tem sido de participar da disputa institucional, com a entrada na corrida eleitoral.
Questionada sobre a primeira medida que deveria ser tomada caso assumisse a vice-presidência num eventual governo do Psol, Sônia elencou o agronegócio como um exemplo de prioridade a ser enfrentada. “O que se tenta fazer hoje é facilitar a legislação ambiental para entregar os territórios para as mãos da iniciativa privada, para aumentar a produção para resolver a crise econômica”, diz Sonia Guajajara, “(Isso) automaticamente gera um outro problema: ao mesmo tempo, você está negando o direito sócio ambiental. Porque se tira o direito da pessoa viver do que ele já produz, a exemplo do homem do campo. Se você tira das mãos do pequeno produtor e entrega para o agronegócio, você entrega para as monoculturas, que não são para a alimentação da população. E aí se entrega nas mãos de quem? De uma pessoa. De um (único) empresário.”
Para ela, as questões ambientais têm papel fundamental no debate sobre os problemas do Brasil. “Quando se anda nas estradas, sobretudo no sul, sudeste e centro oeste você que há todo um descampado e não se cumpre a regulamentação que prevê a proteção da área verde”, A pré-candidata a vice do Psol diz também que é preciso estabelecer um limite para a propriedade privada. “Quando se questiona, principalmente pela bancada ruralista, que são grandes as extensões de terras indígenas, de quilombolas ou de pequenos produtores, não se leva em consideração que a (área da) propriedade privada dá três vezes mais do que todas essas áreas somadas.”
Apesar do Psol ser considerado um partido de extrema esquerda, ela nega que as propostas defendidas pelo partido sejam radicais. “O que a gente propõe não é radical. Radical é essa desigualdade que a gente vive. É absurda e precisa ser enfrentada”, disse. “O que a gente apresenta como propostas não é só uma alternativa, mas um enfrentamento da realidade atual que gera essa desigualdade com base na concentração de renda.” Sonia também descartou que seja projeto do partido a expropriação de moradias para ocupação por sem teto. Segundo ela, as ocupações só devem ser feitas em imóveis vazios e abandonados, que estejam sem cumprir sua função social.
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