A situação do presidente da República, Michel Temer (MDB), é tão sui generis que chega a ser espantosa. A taxa de rejeição de seu governo atingiu inacreditáveis 82%. De acordo com pesquisa Datafolha publicada no último domingo, 8 em cada 10 eleitores brasileiros consideram a administração de Temer ruim ou péssima. A reprovação é a maior já enfrentada por um ocupante do posto máximo do Palácio do Planalto, desde a redemocratização. O emedebista conseguiu o feito de superar o próprio recorde, alcançado em setembro do ano passado, quando a sua impopularidade atingiu 73%. O cenário é digno de um estudo mais aprofundado por parte de nossos cientistas políticos. A pergunta que merece resposta é: como um ocupante de cargo eletivo consegue se manter no poder com tamanha reprovação? Talvez a resposta esteja no fato de que os brasileiros, desde o início do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em maio de 2016, não vejam no emedebista um presidente de fato, mas sim o detentor de um mandato tampão. Para os brasileiros, aparentemente, tanto faz que esteja na Presidência.
A avaliação de Temer piorou significativamente com a greve dos caminhoneiros. Seu governo cedeu a todas as reivindicações dos manifestantes, mas o fim do movimento demorou a vir, mesmo com os constantes pacotes de bondades oferecidos pelo Planalto. No final, o preço do óleo diesel diminuiu, graças a um acordo que será bancado por todos os cidadãos brasileiros, com a retirada de verbas previstas para investimentos na área da saúde e de ação social, por exemplo. A população apoiou a paralisação dos carreteiros, mas ao ser obrigada a pagar a conta, se voltou contra um governo inepto, sem moral para negociar, sem condições de governar. Ao mexer, mesmo que indiretamente, no bolso já tão vazio da população, Temer viu sua reprovação saltar de 70% em abril para 82% no início deste mês
A desesperança da Nação, que nada cobra de um governo que não reconhece, explica-se pela falta de representatividade de toda a classe política brasileira. Impera a sensação de que se pode trocar o mandatário, mas a situação continuará a mesma. A crise econômica, que insiste em assombrar o País, é o motivo de tamanho desalento. As projeções para a recuperação financeira do Brasil só pioram, e essa situação vivemos no dia-a-dia.
Os brasileiros irão às urnas, em outubro, para escolher o substituto de Temer. A esperança, porém, parece não estar nos nomes que se apresentaram até agora. De acordo com a mesma pesquisa, o número de eleitores sem opção ou dispostos a votar em branco ou nulo supera os votos do candidato vencedor na maioria dos cenários ensaiados para um provável segundo turno. O eleito para o Planalto terá a difícil missão de unir o País e devolver a esperança à Nação. A certeza que terá é de que será praticamente impossível superar a rejeição de Temer.
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