A República dos Caminhoneiros


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A semana que se seguiu ao fim da greve dos caminhoneiros, que travou o país durante quase duas semanas, no fim do mês de maio, não foi de calmaria. Apesar de o movimento ter perdido espaço na cobertura jornalística, a pressão da categoria sobre o governo federal continuou. A questão agora é a tabela de fretes. O poder é tão grande sobre Michel Temer (MDB) que chegou ao ponto de a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) suspender, na manhã da última sexta-feira, os efeitos de uma resolução sobre o frete mínimo publicada na noite do dia anterior. O texto, que teve validade por pouco mais de 12 horas, era o segundo editado pela Agência desde o fim da paralisação dos transportadores. O vai-e-vem na ANTT é prova clara de como nossos governantes e, por consequência, nós estamos nas mãos de uma única categoria.

A verdade é que, ao se apressar na tentativa de atender todos os pedidos dos caminhoneiros, Temer jogou combustível na fogueira que não estava totalmente apagada. A proposta do frete, além de não agradar os trabalhadores, causou descontentamento também no agronegócio e na indústria, dois setores que têm garantindo um mínimo de legitimidade ao governo do emedebista. Apesar dos constantes recuos e falta de habilidade do Palácio do Planalto em negociar, está em vigor a tabela publicada em 30 de maio, no auge da crise causada pelo movimento dos carreteiros. Contra este tabelamento, há pelo menos 15 ações na Justiça, de acordo com balanço do próprio governo.

Incapaz de atender as reivindicações dos caminhoneiros - nova reunião entre a categoria e a ANTT está agendada para acontecer nesta segunda-feira - e começando a se indispor com setores importantes da economia nacional, Temer se vê pressionado pelos dois lados.

O que o Palácio do Planalto espera, numa típica aposta e única saída para tomada de importantes decisões de governos impopulares, é que a Justiça aja. Temer já admite a possibilidade de a tabela mínima de frete ser extinta e torce - com todas suas forças - que isso aconteça via Judiciário. Há tempos que o Brasil vive sob o poder das decisões de magistrados. Nossos governos - na mão de políticos descompromissados com o País, mergulhados em seus próprios e escusos interesses - estão acéfalos. Em Brasília, Executivo e Legislativo vivem uma crise de inércia jamais vista em nossa história recente. Daí a ascensão do Judiciário.

Com todo respeito que os transportadores merecem e apesar de toda força que demonstraram possuir, a esperança é de que pelo menos a Justiça garanta um mínimo de normalidade nas decisões da Nação, sob o risco de vivermos a República dos Caminhoneiros. A torcida maior, porém, é que consigamos traçar um novo futuro para o País a partir das eleições de outubro.\

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