Dono de afirmações polêmicas - às vezes, preconceituosas -, até pouco tempo ignorado pelos grandes caciques das principais legendas políticas, idolatrado por uma parte da população, odiado por outra, o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) é o nome a ser batido. Pelo menos é o que indicam as recentes pesquisas de intenções de voto. De personagem controverso, “caricato” para adversários e “mito” para admiradores, o deputado federal tornou-se uma realidade na disputa presidencial deste ano. Levantamentos apontam que um em cada quatro eleitores declara voto no militar da reserva. Analistas políticos dizem que é este é o potencial de voto de Bolsonaro, que não passará dos 25%. Mas com os partidos de centro divididos em diversas candidaturas, com a esquerda ainda sentido os reflexos da “orfandade” com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse um quarto das intenções de voto coloca Bolsonaro na liderança das pesquisas.
“Eu acho que a chance de alguém que pratica um furto ficar detido é zero junto com a audiência de custódia. Tem de acabar com isso. E não vem com essa historinha ‘ah, os presídios são cheios e não recuperam ninguém’. É problema de quem cometeu o crime.” Esta é a mais recente polêmica afirmação de Bolsonaro, dita durante uma sabatina de pré-candidatos realizada pelo jornal Correio Braziliense. Para o político, a questão de segurança pública deve ser discutida com policiais militares e não com “filósofos e antropólogos”. É com argumentos radicais como este que Bolsonaro conquistou a simpatia de milhões de brasileiros. E as pesquisas indicam que os admiradores estão espalhados por todo o país.
O pré-candidato do PSL lidera os levantamentos até no principal reduto tucano, o Estado de São Paulo. O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB, que patina na pré-campanha, partiu para o ataque. Com a candidatura em crise, perdeu a paciência e peitou o partido, desafiando os correligionários a dizerem se o querem ou não como o nome tucano na disputa pelo Palácio do Planalto. Ato contínuo, alvejou o líder das pesquisas. Outro pré-candidato, Ciro Gomes (PDT), o principal nome de esquerda até agora, também mirou Bolsonaro. As reações demonstram que a candidatura do militar passou a ser levada a sério pelos concorrentes.
De agora até o dia 7 de outubro, ainda existem quatro meses, mas o cenário já começou a se desenhar com uma certeza: o político de extrema direita não será um coadjuvante na campanha eleitoral. Por enquanto, ocupa o papel de antagonista a todos os velhos políticos lançados na disputa. O risco é, apoiado por uma Nação tão descrente da classe política, ser alçado a protagonista.
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