'Sou absolutamente contra a guerra fiscal', diz João Doria


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João Doria tem 60 anos, é natural de São Paulo e foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do País. Empresário de sucesso, presidente licenciado do Grupo Doria e do comitê executivo do Lide, grupo de líderes empresariais, ele é formado em jornalismo e publicidade e foi apresentador de TV. Nas eleições de 2016, pregando o discurso de que não era político e, sim, gestor, recebeu mais de 3 milhões de votos e se tornou o primeiro prefeito de São Paulo eleito em primeiro turno desde 1992, quando as eleições passaram a ter dois turnos. Havia iniciado a campanha de 45 dias com apenas 5% das intenções de voto.

Adotou medidas de impacto, se vestiu de gari, doou o salário de prefeito, se apresentou como gestor de sucesso e fez sua popularidade acelerar até chegar a ter o nome cogitado para a presidência da República. De maneira tão rápida quanto, viu a reputação cair e passou a ser questionado pelos paulistanos.

Em abril deste ano, se envolveu em polêmica ao deixar a Prefeitura após um ano e três meses à frente do cargo. Ele renunciou para poder disputar a candidatura pelo governo do Estado nas eleições de outubro.

No sábado, 26 de maio, Doria veio a Franca para se encontrar com apoiadores na Câmara. Antes do evento, esteve no Comércio e concedeu esta entrevista exclusiva.

Eleito governador, quais serão suas três prioridades?
O eleitor do Estado pode esperar a mesma ação eficiente, honesta e transparente que tive como prefeito. Minhas prioridades serão geração de emprego, atenção à saúde e atenção à educação. Uma das primeira medidas que vamos adotar, se eleitos, será a recriação da Secretaria do Interior. A pasta será enxuta e técnica para gerenciar, operacionalizar e agilizar o atendimento de prefeito do interior para dar celeridade aos pleitos justos.

Franca tem registrado uma redução do porte do tamanho e do número de empregados na indústria calçadista. O que deve ser feito? Tentar resgatar o processo de industrialização, fortalecer a indústria ou incentivar outro tipo de economia?
Tem que manter. Não podemos apagar ou desconsiderar toda uma história. São mais de cinco décadas de produção industrial de qualidade. A indústria calçadista de Franca tem tradição e conhecimento. Todos os demais processos econômicos devem ocorrer e ser incentivados. Franca, aliás, se expandiu muito em várias outras áreas, mas não deve prescindir de sua vocação calçadista. O que é preciso é analisar claramente quais são os problemas que estão afetando a indústria fazendo com que algumas mudam suas instalações para outros Estados e que pensem em se mudar para o Paraguai. Não é razoável que indústrias que estão há décadas aqui desejem sair por conta de incentivo fiscal ou de outras facilidades. É preciso analisar que tipo de motivação adicional é preciso criar para que as indústrias permaneçam e expandam aqui. Sou contra a guerra fiscal, quero deixar isto bastante claro. Sou um tucano diferente: eu não fico em cima do muro. Minhas posições são muito claras. Podem criticar, mas eu tenho posição, tenho lado. Minha posição é: favorável à manutenção da industrialização de calçados em Franca, analisar quais pontos que podem melhorar a condição de rentabilidade da indústria sem guerra fiscal. Há outras situações também que podem melhorar a condição de rentabilidade.

São Paulo não entra na guerra fiscal, mas outros Estados entram. Como enfrentar esta concorrência?
Não é com guerra fiscal. Sou absolutamente contra. Hoje, você pode ter a guerra fiscal favorecendo uma unidade no Ceará ou no Rio Grande do Sul, mas amanhã você pode ter em Goiás, Mato Grosso, Tocantins e aí vai, não termina mais. Como é que faz: o produtor vai ficar seguindo este abre e fecha? Ele padece, não vai funcionar. Definitivamente, este não é o caminho. Do ponto de vista empresarial, você tem a produção, distribuição e consumo. Estes são os três grandes vértices da indústria. Temos tudo isto no Estado. Este é um ponto que tem que ser avaliado. Menos custo de transporte, melhor competitividade para o produto final. Temos que melhora o incentivo ao consumo. A economia precisa dar boas respostas para que as pessoas voltem a comprar na mesma intensidade que já ocorreu.

Setores do PSDB estão descontentes com o fraco desempenho de Geraldo Alckmin nas pesquisas para presidente da República e tentam convencer o senhor a disputar, não o governo, e, sim, a Presidência. Avalia aceitar o desafio?
Volto a afirmar: eu tenho lado. Meu lado é Geraldo Alckmin. Só há um plano: Plano A, plano Alckmin. Ele é o nosso candidato à Presidência da República. Sou pré-candidato a governador do Estado. Quero dizer aqui, sem nenhuma arrogância, mas com muita convicção: vamos ganhar e vamos ajudar a eleger Geraldo Alckmin. O Brasil precisa de uma opção equilibrada, sensata, honesta, decente e sem radicalismos. Este é o momento em que a postura Geraldo Alckmin atende ao interesse do País para que o Brasil possa seguir em frente e tenha desenvolvimento.

O senhor teve um enfrentamento na Cracolândia que teve repercussão nacional e dividiu opiniões. Há necessidades de adoção de medidas semelhantes em determinadas regiões do Estado ou o tratamento tem que ser diferente?
A mesma boa prática que fizemos em São Paulo pode ser colocada em qualquer outra cidade. Lançamos o projeto Redenção em maio do no passado, primeiro, em uma ação articulada com a Prefeitura e governos estadual e federal. Três pontos básicos são necessários: primeiro, ação policial. Jamais contemporizar com os traficantes. Fizemos uma ação fulminante com as polícias em quarteirões que eram dominados há 22 anos pelo PCC. O projeto Redenção envolve ação policial, acolhimento para tratamento adequado para que o dependente possa sair da linha da morte, e educação. As três ações são muito importantes, mas é preciso determinação porque o grau de enfrentamento é muito grande. Ao bandido, cadeia.

O senhor recebeu muitas críticas por ter renunciado à Prefeitura de São Paulo com apenas 15 meses de mandato para disputar o governo. Não acha que os eleitores que votaram no senhor foram traídos?
Eu venho do setor privado, não sou político, estou na política. Fui eleito com 53% dos votos, eu e o meu vice, Bruno Covas. Tive a coragem de convidar o Bruno do meu partido PSDB para disputar comigo e fomos eleitos com o mesmo número de votos. O setor privado ensina que você precisa ter equipe competente, nada de ação imperialista, só o prefeito manda. Montamos um grande time na Prefeitura com dois comandantes: João Doria e Bruno Covas. Não tive dúvida nenhuma, diante da necessidade de resguardar o legado de Geraldo Alckmin no governo, de aceitar o convite de disputar as eleições para governador. A sede do governo é em São Paulo. Vencendo as eleições, vamos ajudar a cidade a ser melhor para se viver, assim como faremos com todo o Estado. Ainda não temos a definição de quem será o meu vice, mas quando escolhermos, fiquem certos que ele vai trabalhar, ele não vai ser decorativo, não vai ser Márcio França não (vice de Alckmin e atual governador).

Como o senhor avalia a possibilidade de um preso como o ex-presidente Lula disputar as eleições para presidente?
Nenhuma. É só na ilusão e na cabeça de petistas e de pessoas que se imaginam acima da lei e da ordem. Não faz o menor sentido. Lula está preso e continuará preso. Ele tem mais nove processos para responder. Lula está pagando pelo o que já deveria estar pagando há muito mais tempo. Ele roubou os brasileiros, roubou o Brasil, roubou o dinheiro público, mentiu para a população e está pagando pelos crimes que cometeu, não só ele, Lula, Zé Dirceu, Delúbio e vários outros foram condenados.

Eduardo Azeredo do seu PSDB também...
Não tem justiça seletiva. Não importa quem seja. A Justiça é para todos. Roubou, tem condenação, pague a condenação. Portando, Lula não poderá ser candidato. Felizmente, a Constituição Brasileira não permite que preso dispute eleição. Não adianta vir pedir o indulto, que é um absurdo. Só na cabeça de petistas que imaginam que possam roubar, mentir, usurpar o País e, depois, vem pedir indulto. É na cadeia que o Lula vai ficar e, lá, não poderá ser candidato a nada, quando muito, síndico da cadeia.


 

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