O Procon de Franca recebeu pelo menos 50 reclamações de consumidores denunciando suposta prática abusiva contra a rede de postos Postinho durante a greve dos caminhoneiros. O número é referente apenas às queixas feitas por telefone. As reclamações enviadas pelo e-mail do órgão seguiram direto para a central em São Paulo.
Em meio à falta de combustíveis e diante dos transtornos que a greve provocou, a rede foi acusada por consumidores de usar a crise para lucrar. Os postos que ficam nas regiões do São Joaquim e Santa Mônica subiram o preço da gasolina para R$ 5,99 e o do álcool para R$ 4,99 no auge dos manifestos. O preço médio nos outros postos era R$ 4,39 a gasolina e R$ 2,89 o álcool.
Diante da ameaça do pedido de prisão feita pelo Ministério Público e das reações nas redes sociais, que recomendaram boicotes à rede, o Postinho reduziu o preço por alguns dias. Na última semana dos protestos, quando era um dos únicos postos com oferta de combustível, voltou a reajustar o preço do álcool para R$ 3,49, contra R$ 2,90 dos concorrentes que estavam com as bombas secas. Sem outra alternativa para abastecer, os motoristas formaram filas quilométricas diante do Postinho para encher o tanque.
João Vicente Miguel, chefe do Procon em Franca, afirmou que foi grande o número de consumidores que procuraram o órgão para denunciar o procedimento adotado pela rede durante o período de desabastecimento. “Recebemos um grande número de reclamações contra o Postinho e abrimos um procedimento administrativo para apurar responsabilidade. Vamos enviar as informações para o Ministério Público e para a Fundação Procon para que medidas judiciais e administrativas sejam tomadas. Certamente, a punição virá”.
O promotor de Defesa do Consumidor, Murilo Jorge, afirmou que o comerciante que se aproveita do momento para aumentar preço sem justificativa comete crimes contra a economia popular e contra a ordem econômica. “As investigações no MP terão finalidade específica. Quando recebermos o processo enviado pelo Procon, eu ficarei com uma parte para buscar a reparação do dano causado aos consumidores. Já a promotoria criminal abrirá investigação para aplicar pena”.
Na última sessão da Câmara, quando os reflexos da greve dos caminhoneiros foram comentados pelos vereadores, Marco Garcia (PPS) cobrou uma posição das autoridades contra comerciantes que aumentaram preços durante a crise que afetou o abastecimento. “O comerciante que se aproveita da crise para ganhar dinheiro é tão bandido como o político que roubou.”
O dono do Postinho, Emílio César Raiz, disse ao Comércio que estava fora de Franca e que não tinha o que falar. “Quando eu for notificado pelo Procon, eu me manifesto”. O gerente do posto, também ouvido, se limitou a dizer que estava “cumprindo ordens de cima” e não quis dar mais detalhes com medo de se prejudicar.
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