A greve dos caminhoneiros se encerrou na região de Franca na última quarta-feira. Foram nove dias de paralisação que afetaram todos os setores da economia local. Ainda não é possível falar em valores, mas as perdas atingiram desde a indústria calçadista, ao comércio de produtos e até o sistema público de transporte. Ninguém escapou.
Para se ter ideia do prejuízo, no sistema de transporte da cidade, circulam por dia entre 60 mil e 65 mil passageiros. Por conta do corte de horários para a economia de combustível que chegou a faltar na Empresa São José, o volume de passageiros caiu para 44 mil pessoas. “Tivemos que diminuir o número de ônibus circulando e os horários, isso acabou refletindo no total de passageiros. Acredito que ao todo deixaram de usar o transporte público neste período cerca de 120 mil pessoas”, disse Luciano Marangoni, gerente de transporte público da Prefeitura. O valor do prejuízo com essa queda não foi divulgado pela Empresa São José.
Na indústria calçadista, os transtornos afetaram a produção e a distribuição de mercadorias. Um levantamento do Sindicato das Indústria de Calçados de Franca, semana passada, apontou que, por dia, cerca de 100 mil pares deixaram de ser produzidos. Além disso, sem poder circular pelas rodovias, os caminhões das empresas acabaram atrasando as entregas e foi preciso negociar com os clientes para evitar cancelamento de compras.
No setor comercial não foi diferente. Lojas de roupas, restaurantes, bares e até farmácias sofreram com a queda no movimento de consumidores. “Durante os dias de paralisação, não conseguimos receber nossos pedidos de medicamentos e outros produtos. Nosso faturamento caiu entre 30% e 40% porque os consumidores vinham comprar, mas não tínhamos para vender”, disse o gerente da Drogaria São Mateus, Jorge Felício.
Até nas padarias o movimento caiu. O prejuízo só não foi maior porque os donos dos estabelecimentos acabaram trocando mercadorias em estoque para não deixar de produzir. “Não estamos recebendo farinha de trigo, nem leite longa vida, nem ovos e presunto. Para não pararmos, estamos trocando com quem tem estoque. Eu, por exemplo, tenho farinha e ovo e acabei emprestando para um amigo que não conseguiu receber seus pedidos”, disse Genésio Ferreira Costa, dono da Padaria União.
Nos varejões, onde faltaram frutas e verduras, a queda nas vendas só não foi grande porque os consumidores acabaram fazendo substituições. “Muitos vinham comprar morango, por exemplo, mas como não tínhamos, acabavam levando uvas. Então, nosso prejuízo não foi tão grande”, contou o gerente do Rafas Varejão, José Luiz Assunção.
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