Quatro dias após a greve dos caminhoneiros perder força e encerrar-se apenas depois de 72 horas de um acordo entre representantes da categoria e o Governo Federal, empresários de Norte e a Sul do Brasil ainda não conseguiram fechar a conta de quanto deixaram de faturar durante os dias de paralisação dos carreteiros. As consequências foram sentidas em todos os setores da economia, do campo às fábricas de automóveis; do pequeno produtor rural ao grande exportador; do mais simples cidadão do país aos mais poderosos. A manifestação de cerca de 10 dias evidenciou a importância dos caminhoneiros e a inoperância do governo do presidente Michel Temer (MDB). O Palácio do Planalto foi soberbo ao menosprezar o movimento, em seu início, e depois correu para tentar minimizar os seus impactos. Foi em vão, para encerrar a greve teve de ceder às reivindicações da categoria, numa complacência absurda - típica da falta de comando, de poder, que marca o governo que acabou sem ainda terminar.
Na indústria calçadista, a estimativa do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), é que a produção tenha sido afetada em cerca de 100 mil pares por dia. São quase um milhão de pares de calçados que deixaram de ser produzidos em dez dias de greve. As indústrias não conseguiam receber matéria-prima nem escoar sua produção. Nos supermercados, o desabastecimento vai do setor de hortifrútis ao de bebidas. Farmácias também não receberam medicamentos. Há drogaria que estima uma queda no faturamento entre 30% e 40%. Sem falar nos postos de combustíveis, que ficaram dias fechados, e o transporte público municipal, que deixou de transportar 120 mil passageiros no período dos protestos. Os valores do prejuízo ainda são calculados e seus reflexos devem perdurar por muito tempo.
Não bastasse isso, o governo jogou para os empresários e trabalhadores a conta do acordo com os caminhoneiros. Em vez de diminuir seus gastos, optou por cortar incentivos aos setores produtivos e diminuir os - já insuficientes - investimentos em saúde e na área social. O acordo de Temer também teve consequências para a Petrobras. Ao dar mostras do poder da mão do governo - pelo menos - sobre a estatal, conseguiu espantar investidores, descrentes com o futuro da petrolífera. Pedro Parente, que reergueu a empresa, devolvendo a rentabilidade e lucro aos seus acionistas - após desastrosas políticas patrocinadas pelos governos petistas, nem falar da corrupção -, demitiu-se dois dias após o fim da greve. O motivo seria também a intervenção política nas decisões da empresa.
A sensação que fica, após o êxito - meritório - dos caminhoneiros é que qualquer categoria que bradar um pouco mais alto com Temer e sua trupe conseguirá os seus pleitos. O desgoverno é evidente.
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