A queda de Pedro Parente


| Tempo de leitura: 2 min
PEDIDO DE DEMISSÃO DO PRESIDENTE AMEAÇA INDEPENDÊNCIA DA PETROBRAS 
Surpreendido com o pedido de demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, o governo federal correu para tentar acalmar o mercado, já anunciou o substituto e garantiu que não haverá interferência política nas decisões da estatal. Apesar das medidas rápidas e dos discursos de independência, o Palácio do Planalto não conseguiu convencer os investidores, e as ações da petrolífera despencaram. No centro da saída de Parente está a política de preços adotada pela Petrobras, que atrela o valor da gasolina e diesel à cotação internacional do petróleo e à variação do dólar. Com a medida, os combustíveis têm seus preços reajustados quase que diariamente. O resultado foi a disparada dos valores nas bombas. A consequência, a greve dos caminhoneiros que parou o Brasil nos últimos dias, cujos reflexos sofremos até hoje.
 
Pedro Parente assumiu a presidência da Petrobras em 30 de maio de 2016. Ele substituiu Aldemir Bendine, que está preso pela Operação Lava Jato. Em outubro do mesmo ano, implantou a política de preços, com revisões mensais para aproximar valores cobrados pela estatal com o praticado no mercado internacional. Em julho de 2017, a política de preços foi alterada e os reajustes do diesel, gasolina e gás de cozinha passam a ser até diários. Com a medida, a Petrobras conseguiu se reerguer e, em maio deste ano, superou a Ambev e voltou a ser a maior empresa brasileira em valor de mercado. A boa notícia, porém, durou pouco. Com a deflagração da greve dos caminhoneiros, que pediam a redução do preço do diesel, dias depois, as ações da estatal passaram a oscilar. Para encerrar o protesto, o governo do presidente Michel Temer (MDB) prometeu reduzir em R$ 0,46 o preço do litro do combustível nas bombas. O anúncio foi feito no início da semana que termina com a carta de demissão enviada por Parente a Temer.
 
O mercado acredita que a saída do presidente da Petrobras esteja ligada ao fim da política de preços. Parente comandou a estatal como uma empresa, não como um projeto político ou de enriquecimento ilícito, como se viu anteriormente. Exatamente por isso, sua gestão era alvo de críticas dentro do próprio governo. Como gestor, preferiu deixar o comando a se vender à politicagem. Parente foi a personificação da crise que originou a greve dos caminhoneiros. Deixa agora toda a polêmica e dificuldades que envolvem assunto tão controverso nas mãos de Temer.
 
A Petrobras é uma empresa de capital aberto, logo tem vários donos. Administrá-la para satisfazer os anseios da população em detrimento dos interesses meramente financeiros de seus acionistas é opção que não deve existir. Infelizmente ou felizmente, o País é dono de uma empresa que, como qualquer outra, mira única e simplesmente o lucro. Novo alvo não deve ser a Petrobras, mas sim o governo.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários