Imóveis comerciais desocupados se acumulam por Franca. Basta andar um pouco pela cidade para encontrar espaços, que antes eram ocupados por grandes empresas, vazios e com placas de “aluga-se” ou “vende-se”.
É o caso de um imóvel localizado na rua Saldanha Marinho com a avenida Ismael Alonso y Alonso, onde funcionava a Eletropires, uma das mais tradicionais empresas do ramo de materiais elétricos de Franca, que agora funciona na avenida Brasil; o prédio onde funcionava a Seller, que fechou as portas no início deste ano, localizado na Ouvidor Freire; e ainda o imóvel onde funcionava uma das unidades da loja Casa da Sogra, na esquina das ruas Major Claudiano e Voluntários da Franca, que desde o ano passado está desocupado.
Essa nova realidade, de acordo com as imobiliárias, tem relação com a busca por otimização por parte das empresas, que hoje, especialmente após um forte período de recessão e a crise econômica, procuram formas de economia, e também pelo amplo desenvolvimento da era digital.
“Percebemos nitidamente as empresas mais receosas, por isso o grande número de espaços vazios. Mas, também, é possível perceber, até em consequência do momento que vivemos, que os empresários estão otimizando muito a questão do espaço em decorrência da evolução da era digital e da tecnologia. Hoje a maioria dos comércios contam com serviços de e-commerce, o que diminui a necessidade de áreas grandes”, disse o proprietário da HR Santos Empreendimentos Imobiliários, Hamilton Santos.
Apesar do alto número de espaços desocupados, Santos afirma que atualmente, em consequência da forte recessão dos últimos anos, está mais fácil negociar com os proprietários e, assim, os aluguéis estão mais acessíveis. “O fato é que o mercado imobiliário ainda não conseguiu alcançar as expectativas que havia para este ano. Por isso, acredito que em 2019, depois da consolidação do que de fato vai acontecer no cenário político do país, a situação será melhor”, disse.
“O valor do aluguel em Franca segue a média do Estado de São Paulo, mas nos últimos dois anos a inflação para o setor ficou estacionada e, com o excesso de locais vazios, está mais fácil para negociar”, completou.
Tecnologia
Para o vice-presidente da Abifran (Associação das Administradoras de Bens Imóveis de Franca), Alexandre Augusto Franco e Silva, que conta com 26 imobiliárias que, juntas, representam 75% dos imóveis da cidade, a otimização é mesmo o principal motivo dos espaços estarem vazios.
“A indústria de um modo geral hoje está otimizada, ou seja, ela produz o mesmo em uma área muito menor, pelos avanços da tecnologia mesmo. E, principalmente, em momentos de recessão, algumas empresas grandes passaram por dificuldades financeiras, fecharam e foram criados esses vazios urbanos”, disse Franco e Silva.
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