Governo central JOGou PARA O POVO O PREÇO DE SUA INCOMPETÊNCIA
Os caminhoneiros deram mostras de organização no movimento que praticamente foi encerrado nessa quarta-feira. Após 10 dias de mobilização, a categoria conseguiu a redução no valor do preço do óleo diesel, maior reivindicação dos manifestantes, que travaram o País, desabasteceram postos de combustíveis, supermercados e indústrias... O governo garante que já a partir desta sexta-feira o litro do diesel estará R$ 0,46 mais barato nas bombas. Mérito total da categoria que, ao surpreender o governo central, impulsionou uma inédita celeridade do Executivo e do Congresso Nacional em atender seus pleitos. Todo o processo necessário para a redução no preço do combustível foi tomado em menos de uma semana. Agora a conta começará a chegar. O diesel cairá às custas da reoneração da folha de pagamento de 28 setores da economia.
A desoneração da folha, como também o controle sobre os preços dos combustíveis - um dos motivos para a crise na Petrobras, o que originou o movimento dos caminhoneiros, praticamente consumidos pela disparada no preço do diesel - foram medidas tomadas pelo inábil governo Dilma Rousseff (PT) na tentativa de salvar a economia nacional, que caminhava rumo ao fundo do poço. A primeira, se não suficiente para reerguer os 56 setores econômicos com a desoneração, deixando de recolher a alíquota de 20% de contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento e pagando percentual entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta, foi responsável por preservar empregos. As empresas beneficiadas pela redução não conseguiram evitar demissões, mas mandaram para a rua menos trabalhadores do que seriam necessários. Já a segunda, ao manter artificialmente controlados os preços dos derivados do petróleo, praticamente quebrou os cofres da Petrobras - isso, é claro, atrelado à corrupção que consumia a empresa.
A nova direção da Petrobras recuperou a estatal ao adotar a nova política de preços de combustíveis, que varia de acordo com a cotação do dólar e do petróleo. Salvou a empresa e quebrou os caminhoneiros. Agora para salvar os caminhoneiros, ou melhor, salvar sua reputação - se é que tem - o governo central ameaça quase 30 setores responsáveis por milhões de emprego com a volta à contribuição previdenciária tradicional. Ameaça porque a desoneração ainda se faz necessária, uma vez que estamos muito longe de sairmos da crise.
Setores importantes da economia pagarão a conta que é do governo. Temos uma máquina pública inchada, praticamente inoperante, com salários e benefícios extremamente exagerados - em comparação com a iniciativa privada. O preço de muitos produtos e serviços no Brasil, não só do diesel, poderia cair se o governo cortasse na própria carne. Mas não. Preocupados sempre com a próxima eleição, presidente, senadores e deputados preferem jogar para o povo os custos de suas políticas eleitoreiras.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.