Que a chama permaneça acessa


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CAMINHONEIROS PARECEM TER DESPERTADO O País; QUE INDIGNAÇÃO SE REFLITA NAS URNAS
Nesta quarta-feira já serão 10 dias do movimento dos caminhoneiros. São 10 dias em que nós, brasileiros, fomos despertados da nossa “natural” letargia e conformismo. O movimento dos transportadores, embora nascido de uma pauta exclusiva e centrada em benefícios para a própria categoria, ganhou a simpatia da população de Norte a Sul do Brasil. Uma única categoria de trabalhadores foi capaz de mudar nossos hábitos, mesmo que minimamente, de chacoalhar a Nação e de nos dar ânimo para lutarmos por nossos ideais. Encorajados pelo protesto, voltamos a clamar por um País mais justo. Que esta reação não seja momentânea, que não se finda com a volta dos combustíveis aos postos. Esta indignação deve prosperar. Os clamores e gritos de protesto devem se materializar nas urnas. A única forma de mudar este estado lamentável em que se encontra o Brasil é através do voto. É apenas através deste instrumento cidadão e democrático que podemos dar um novo rumo à Nação, às nossas próprias vidas.
 
O Brasil vive uma profunda crise de desconfiança, desesperança. Não enxergamos em nossa classe política uma representação. Vivemos sob a sombra de um desgoverno que nunca teve apoio popular, sustentava-se nos parlamentares. Mas, com a aproximação das eleições gerais, em outubro, ninguém quer ter seu nome ligado ao do presidente da República, Michel Temer (MDB). O moribundo mandato do emedebista tinha, até duas semanas atrás, tudo para se arrastar até o dia 31 de dezembro sem grandes percalços. O último pilar de sustentação de Temer era a combalida economia brasileira. Apesar de os números serem sofríveis, eles refletem um mísero avanço. E na terrível recessão que vivemos nos últimos anos, qualquer evolução, por menor que seja, já é motivo para um suspiro. Era através dessa ínfima porção de ar que o governo Temer respirava.
 
Neste momento, é impossível mensurar o estrago que a paralisação dos caminhoneiros vai causar na economia nacional, mas já é possível afirmar que derrubou o único fio que sustentava Temer e seus asseclas no Palácio do Planalto. Se vão deixar o poder hoje ou no dia 31 de dezembro, pouco importa. Mas o fato é que seu governo morreu. Sem um comando político e com a incerteza econômica, a mudança de rumo se faz cada vez mais necessária ao País.
 
A energia que nos encheu de ânimo nestes dias em busca de uma Nação melhor não pode ter sido consumida como palha pelo fogo. Nossa indignação há de transformar-se em ação concreta rumo à reconstrução de um País estraçalhado por grande parte dos políticos, a quem nós mesmos demos o poder. 
 

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