Temer oferece de tudo, mas não é capaz de encerrar a greve dos caminhoneiros
O que o Brasil vive nestes dias com a greve dos caminhoneiros é reflexo de um País sem comando. Toda e qualquer medida tomada pelo governo Michel Temer (MDB) parece não ser suficiente para aliviar os reflexos da manifestação espalhada por praticamente todo o território nacional. Vivemos uma crise sem precedentes que começa a ser sentida além dos postos de combustíveis, os primeiros afetados pelo caos do desabastecimento. Supermercados, escolas, transporte público, unidades de saúde e indústrias também sofrem as consequências do movimento dos transportadores. Enquanto isso, o enfraquecido presidente atende generosamente às demandas da categoria, mas o acordo com as entidades representativas dos caminhoneiros não se reflete nas estradas do país. Tudo permanece bem próximo de como estava antes.
Os caminhoneiros lutam há oito dias pela redução no preço do diesel. O Palácio do Planalto anunciou, na noite de domingo, a queda de R$ 0,46 no litro do combustível. O reflexo foi, na tarde de ontem, segundo balanço do próprio governo, um pequeno aumento no número de bloqueios parciais em rodovias federais. As manifestações seguem sem uma liderança específica, os caminhoneiros se organizam localmente e não dão mostras de que pretendem ceder. O presidente da República acredita que a manifestação termine nesta terça-feira. Já as lideranças espontâneas dizem que continuam em protesto até pelo menos esta quarta-feira.
A situação ganha um ligeiro alívio graças ao recuo forçado dos caminhoneiros, ameaçados com multas, e graças à ação das polícias, na tentativa de liberar as vias e garantir o transporte de combustíveis. Recuam dos bloqueios, mas permanecem parados. Nenhuma via do País está bloqueada totalmente. Escoltados por agentes de segurança, caminhões conseguem abastecer postos para servir órgãos públicos e aeroportos, essencialmente. Apesar desses avanços pontuais, a normalização está longe de ser conseguida. O movimento ganha força. Uma vez que a pauta econômica, aparentemente, deu lugar à agenda política. O apoio da população à causa dos caminhoneiros elevou o protesto a um nível que vai além da redução do diesel.
Temer e seus ministros tentam mostrar otimismo em meio ao total descontrole da situação. E, ao mesmo tempo, partem para o ataque: afirmam que há infiltrados de empresas e grupos políticos no movimento, que impendem o fim da manifestação. A população sofre com o desabastecimento e sofrerá para bancar a redução no preço do diesel. O Planalto já sinaliza um aumento de impostos.
Pagaremos o preço da inoperância de um governo que oferece o que não tem, que ignorou o poder dos caminhoneiros e demorou a agir. Pagaremos o preço de uma sequência de escolhas erradas que tomamos nas urnas... Que tudo isso sirva de alerta para nossas decisões em outubro.
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