A greve dos caminhoneiros que está parando o fluxo de transporte de cargas no País completou uma semana ontem e instalou o caos em Franca. Desde o domingo, quase a totalidade dos 92 postos de combustíveis está com as bombas secas. A crise no abastecimento vai além dos tanques dos veículos e causa reflexos nos setores de saúde, educação, comércio, transporte e prestação de serviços em geral. O prefeito Gilson de Souza (DEM) decretou estado de emergência no município ontem.
A decisão visa a garantir o abastecimento de veículos que realizam serviços essenciais. O texto diz que todos os postos devem assegurar prioridade no atendimento dos serviços públicos essenciais: atendimentos à saúde (transporte de pacientes, distribuição de insumos e medicamentos), segurança pública e defesa civil, bem como serviços atribuídos a concessionárias de coleta de lixo, iluminação, saneamento básico e transporte público.
A regra terá vigência até que o fornecimento de combustíveis seja normalizado. Eventual suspensão de expediente do serviço público municipal deverá ser tomada a partir da edição de um novo decreto. A Secretaria de Saúde anunciou que as UBSs e Núcleos de Saúde da Família vão funcionar nesta terça e quarta-feira, até às 17 h. A vacinação será realizada das 10h às 16 h. O transporte para consultas na cidade também ficará suspenso nesse período. O mesmo vale para o transporte externo de pacientes para Ituverava e Pedregulho.
Sem combustível
A segunda-feira amanheceu tranquila nas rodovias que cortam a região. Segundo a Polícia Rodoviária, não foram registradas manifestações. A calmaria das rodovias contrasta com o que acontece dentro da cidade. Mesmo com o governo federal tendo publicado medidas do acordo com os caminhoneiros, os manifestantes seguem bloqueando o acesso às quatro distribuidoras de Ribeirão Preto que fornecem combustível para os postos de Franca. “Está tudo paralisado ainda lá nas bases. Ninguém consegue entrar. Não há uma previsão de quando a situação vai se normalizar. Quase cem por cento dos postos de Franca não têm combustível”, disse Marco Antônio Nascimento, presidente do Sincopetro.
Na manhã de ontem, apenas dois postos tinham gasolina e etanol. O Postinho da Vila Santos Dumont, que disponibilizou o produto, voltou a subir o preço do álcool a exemplo do que havia feito na semana passada. O preço foi reajustado para R$ 3,49. O valor médio nos outros postos é de R$ 2,89.
O aumento ocorrido na semana passada chamou a atenção do Ministério Público e do Procon, que prometeram investigar a prática abusiva. A rede foi alvo de críticas e promessas de boicote nas redes sociais. No dia seguinte, decidiu reduzir o preço da gasolina a R$ 4,19 e o álcool a R$ 2,69. Ontem, apesar do novo aumento, motoristas formaram longas filas para abastecerem.
A segunda-feira foi um dia de protestos. No começo da tarde, um manifesto feito por quatro pessoas paralisou por alguns minutos o tráfego de ônibus na região do terminal Ayrton Senna. Com medo, lojas chegaram a fechar suas portas. À noite, foi a vez de outro grupo protestar na Praça da Catedral.
No começo da noite, a Polícia Militar escoltou, de Ribeirão Preto para Franca, um caminhão com combustível para o sistema de transporte público. Não há previsão de que os postos possam ser abastecidos hoje e o dia promete ser complicado para quem precisar encher o tanque.
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