As paralisações de caminhoneiros por todo o Brasil, que têm ocorrido desde segunda-feira em razão da disparada no preço do óleo diesel, chegaram às rodovias de Franca. Durante toda a tarde e início da noite de ontem, diversos motoristas protestaram e pediram um “basta” nos preços abusivos do combustível. Com a ameaça de desabastecimento, motoristas correram aos postos para abastecer seus carros e a Empresa São José, responsável do transporte público de Franca, anunciou a redução no número de ônibus circulando pela cidade já nesta quinta-feira.
O primeiro ato aconteceu na rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista. Um grupo de mais de 40 caminhoneiros se reuniu e interditou parte da pista por pelo menos 40 minutos. Mas, com a chegada das polícias Rodoviária e Militar, precisaram encerrar o protesto. “Sabendo da interdição da pista nessa paralisação, a Autovias, concessionária que administra a Ronan Rocha, se antecipou e conseguiu um documento chamado interdito proibitório. Isso significa que, caso aconteça alguma coisa, o responsável pelo movimento responderá civelmente pelos atos. Conversamos com dois motoristas, que foram qualificados, e eles decidiram encerrar a paralisação”, disse o tenente Victor Lima, da Polícia Rodoviária.
Os dois caminhoneiros que organizaram o protesto, Leonardo Santos Ferreira e Carlos César Faleiros, optaram por encerrar a manifestação, mas garantiram que não vão desistir. “Poderíamos receber multa caso acontecesse alguma coisa, por conta dessa liminar. Por isso, encerramos e vamos protestar em outros pontos. É um momento de união para que as coisas mudem no País. Não vamos desistir, não importa se faremos isso meia hora aqui e uma hora em outro ponto”, disse Ferreira.
Cândido Portinari
Cerca de uma hora depois, outras duas mobilizações. A primeira foi breve, em frente ao posto Paineirão, na rodovia Cândido Portinari. Dali, os motoristas seguiram em seus veículos até o Clube de Campo.
Com a frase “Caminhoneiros de Franca apoiam manifestação contra aumento do diesel e corrupção”, em faixas, e buzinas sendo acionadas, os motoristas estacionaram seus caminhões no acostamento da rodovia. Toda a ação foi novamente monitorada pela Polícia Rodoviária, que instruiu os motoristas a não fecharem a pista.
Eles acataram e ficaram no local cerca de 45 minutos, para mostrar seu posicionamento quanto à alta no preço do diesel. Ainda no local, combinaram de, logo nas primeiras horas desta quinta-feira, realizar novos protestos em outros pontos da rodovia Cândido Portinari. “O que queríamos era fazer esse barulho para mostrar que não vamos aceitar o que estão fazendo. É um absurdo. O Brasil vai parar”, disse um caminhoneiro, pouco antes de subir em seu veículo e pegar a estrada.
Motoristas lotam postos de combustíveis
Nos postos de combustíveis de Franca, a situação provocada pela greve preocupa. De acordo com o presidente do Sincopetro (sindicato dos postos) na cidade, Marcos Antônio do Nascimento, o abastecimento dos tanques dos postos é feito diariamente, mas depende exclusivamente de três bases que funcionam em Ribeirão Preto.
“A da Petrobras está fechada desde a hora do almoço (de ontem). A da Rede Petro e da Petroball estão funcionando, mas há problemas para a saída dos caminhões, que não estão conseguindo chegar a Franca”, explicou.
Sem conseguir reabastecer os tanques, o estoque dos 92 postos da cidade deve ser suficiente para apenas três dias.
“Não dá para a gente ter uma previsão exata, mas como terça-feira ainda estava normal o abastecimento, acredito que o estoque seja suficiente para mais três dias. Isso vai depender da demanda. Já tivemos notícias de que em cidades da região, como Capetinga (MG) e Cássia (MG), há falta de combustível, e é provável que os motoristas desses municípios venham abastecer aqui.”
No final da tarde e durante a noite de ontem, os postos de Franca registraram longas filas de motoristas que foram abastecer seus carros, preocupados com o risco de a cidade ficar sem combustível.
Em alguns deles, localizados nas avenidas Presidente Vargas, Hélio Palermo, Santos Dumont, Antônio Barbosa Filho e Santa Cruz, a espera para conseguir encher o tanque passava de meia hora.
A reportagem tentou entrar em contato novamente com Nascimento para saber a respeito do estoque, à noite, mas ele não atendeu as ligações.
Ônibus da Empresa São José terão horários especiais hoje
O estoque de combustível da Empresa São José, concessionária do transporte público de Franca, está no limite. Sem conseguir abastecer os tanques por conta da greve dos caminhoneiros, a empresa tem óleo diesel suficiente para hoje, somente.
Por conta disso, o presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), Marcos Haber, determinou que os ônibus circulem em intervalos maiores, como acontece aos domingos. “Nossa expectativa é conseguir economizar combustível suficiente para que os ônibus consigam circular na sexta-feira.”
Hoje, os ônibus só circularão em horário normal das 6 às 8 horas e das 16 às 18 horas. Nos demais intervalos, ficará valendo os horários praticados aos domingos.
O gerente da São José, Delismar Rodrigues, disse que, com essa economia, a esperança é de que os ônibus circulem até as 17 horas de sexta-feira. Segundo ele, a empresa espera pela chegada de um caminhão para abastecer. “Estamos pensando em uma alternativa”, garantiu.
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