GOVERNO ACENA COM MEDIDAS PALIATIVAS NA TENTATIVA DE ENFRAQUECER GREVE
A greve dos caminhoneiros por todo o Brasil atingiu seu ápice nessa quarta-feira e seus reflexos começaram a ser sentidos pelos francanos. O terceiro dia de mobilização dos profissionais autônomos se espalhou por 24 Estados da Federação, fechou rodovias, bloqueou entrada e saídas de importantes centros de distribuição, seja de combustíveis ou de alimentos, travou o trânsito nas principais vias e cidades do País e causou reação por parte da Petrobras, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Os caminhoneiros dão exemplo de mobilização contra a política de um governo inerte, alheio aos anseios da população, e mostram a força que a categoria possui. Mesmo afetando toda a população, o apoio à causa parece ser praticamente unânime.
Em Franca e região, a manifestação contra a disparada no preço do óleo diesel registrou mobilizações na MG-444, entre as cidades mineiras de Capetinga e Cássia, nas rodovias Ronan Rocha, em Patrocínio Paulista, e na Cândido Portinari, em Franca e Restinga. Mas o impacto maior dos protestos vem dos atos em cidades como Ribeirão Preto. Lá, por exemplo, as bases de distribuição de combustíveis estão bloqueadas por transportadores, que impedem a saída dos caminhões que abastecem os postos da região. Os estabelecimentos francanos têm estoque para três dias, mas a São José, responsável pelo transporte público na cidade, somente para até as 17 horas de sexta-feira.
A atual política de preços adotada pela Petrobras, que reajusta os valores de acordo com a cotação internacional do petróleo, é a responsável pelos aumentos constantes no preço da gasolina, diesel e gás de cozinha - este último com menos frequência após intervenção do governo. A situação dramática se agravou com a escalada na cotação do dólar. Os caminhoneiros afirmam que a situação chegou ao ponto de inviabilizar a profissão. Nos últimos dois dias, a Petrobras anunciou a redução no preço dos combustíveis. Mas não por pressão dos protestos, mas por queda no valor do dólar. Já no fim da noite de ontem, comunicou um desconto de 10% no valor do diesel pelos próximos 15 dias. Deputados e senadores querem zerar a Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico). O Planalto até aceita, mas em troca de um remédio mais amargo: a reoneração da folha de pagamento de diversos setores da economia nacional.
Ambas as medidas, tanto da empresa como do governo, são passa-moleques para garantirem que tudo volte a funcionar, como se estivéssemos no País das Maravilhas. O presidente Michel Temer (MDB) pediu “uma trégua” aos caminhoneiros de “dois ou três dias”, como se tivesse uma solução mágica na cartola. Com o apoio da população e impulsionada pela dramática situação que enfrenta, a categoria não deve - e não pode - aceitar propostas paliativas. Devem se utilizar da força que demonstraram ter para conquistarem um avanço, que não será apenas para eles, mas para toda a Nação.
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