A IMINENTE PRISÃO DE AZEREDO (PSDB) CONFIRMA QUE A JUSTIÇA É PARA TODOS
Finalmente um político dos quadros do PSDB verá o sol nascer quadrado. Finalmente, não porque seja político ou, muito menos, tucano. Mas finalmente, porque a Justiça mostra que a faxina realizada na política nacional, ao mandar corruptos para a cadeia, não tem cor, raça, sexo, religião nem, muito menos, sigla partidária. Dos grandes partidos nacionais, faltava ser preso apenas um social-democrata condenado sob a pecha de corrupto. O futuro detento da vez é o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), condenado a 20 anos e 1 mês por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro no esquema conhecido como mensalão tucano.
A se considerar a celeridade das investigações, condenações e prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá (SP) - menos de dois anos - e a morosidade na ação de Azeredo - 11 anos desde o oferecimento da denúncia à provável expedição da ordem de prisão nesta semana -, a impressão era de que realmente a Justiça não era para todos. Com a decisão de ontem, porém, ficou claro que a disposição dos membros do Judiciário, respaldados pelas investigações das polícias e Ministério Público, é varrer da política nacional o lixo que emporcalha, mancha e consome a administração pública de Norte a Sul do Brasil.
Em 2007 a Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra Azeredo, sob a acusação de desviar R$ 3,5 milhões de empresas estatais de Minas (Copasa, Comig e Bemge) para sua campanha à reeleição ao governo mineiro, em 1998. O tucano, há 11 anos, era senador e dispunha, portanto, do foro privilegiado. O Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia dois anos depois. Em 2014, a ação estava pronta para ser julgada - Azeredo era deputado federal. Ele então renunciou ao cargo. A renúncia funcionou como uma estratégia para retardar o julgamento, uma vez que, sem o foro, Azeredo deveria ser julgado na primeira instância e o processo voltaria à estaca zero. O resultado foi que após quatro anos da manobra jurídica, o ex-governador mineiro foi condenado e teve recursos negados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. As possibilidades se esgotaram ontem, com os desembargadores negando por unanimidade embargos declaratórios e determinando sua prisão imediata.
O tucano Azeredo se junta à desprezível lista de políticos presos formada por emedebistas, como Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal) e Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro); pepistas, como Paulo Maluf (ex-prefeito de São Paulo e deputado federal); além de petistas, como Antonio Palocci e José Dirceu (ex-ministros) e o ex-presidente Lula. O rol dos políticos varridos para trás das grades pela Justiça é grande e deve aumentar ainda mais. A Nação agradece.
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