A escalada no preço dos combustíveis


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A semana começou com protestos de caminhoneiros em rodovias das quatro regiões do País contra a escalada nos preço dos combustíveis. O alvo é a atual política adotada pela Petrobras, que reajusta os valores de acordo com a cotação internacional do petróleo. A situação, que já era dramática, ganhou traços de desespero entre os profissionais que dependem diretamente do diesel para trabalhar, com a atual disparada na cotação do dólar. Os transportadores afirmam que não suportam mais o alto valor. Se tudo continuar como está, dizem, a profissão se tornará inviável. Alheia à angústia dos trabalhadores, a Petrobras anunciou novo reajuste já para esta terça-feira, no meio das manifestações dessa segunda. O Governo Federal, que controla a empresa estatal, anunciou na noite de ontem que estuda uma maneira de tornar os aumentos “mais previsíveis”. Medidas efetivas - como redução de impostos, por exemplo -, a se considerar o discurso do ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, estão descartadas.
 
A situação “insuportável” para os caminhoneiros também afeta os cidadãos. Em Franca, nunca se pagou tão caro pela gasolina que, de uma só vez, na semana passada, subiu vinte centavos o litro, chegando a R$ 4,36 nas bombas dos postos da cidade, em média. E não deve parar por aí. A partir desta terça-feira, a estatal vai aumentar em 0,9% o preço da gasolina, que passará a ser vendida nas refinarias a R$ 2,0687 o litro. Já o diesel subirá 0,97%, para R$ 2,3716 o litro. Apenas em maio, o combustível utilizado nos caminhões acumula uma alta de 12,3%. A Petrobras alega que a atual política de preços é a única forma de blindar os cofres da empresa, corroídos nos últimos anos pelas políticas de subsídio, que não repassavam as variações da cotação internacional do petróleo aos consumidores e pelo esquema de corrupção instalado na estatal.
 
A atual situação, porém, ameaça a economia nacional, uma vez que praticamente tudo que se produz no Brasil depende do transporte rodoviário. Se não houver um freio neste aumento quase que diário nos preços dos combustíveis, o frete terá de ser reajustado e, se isso acontecer, uma série de aumentos em cadeia atingirá o País. No final, quem pagará a conta será o cidadão comum. 
 
O Governo Federal precisa encontrar uma forma para que não sejamos nós os responsáveis por pagar esta conta. Ontem, o Congresso Nacional anunciou a instalação de uma comissão conjunta entre Câmara e Senado para acompanhar a situação. O Planalto falou em “previsibilidade”, apenas. É preciso avançar. A redução de impostos e taxas é a saída mais indicada. Mas como um Estado quebrado abre mão de renda? A situação é preocupante, do jeito que está não pode ficar.

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