A Língua Portuguesa do Brasil


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Se um  menino  português  lhe disser para você vestir sua camisola antes de ir para o futebol onde vai jogar na posição de guarda-redes,  você pode achar estranho. E se ao chegar ao clube ele lhe pedir uma pastilha elástica e avisar que necessita de um minuto para ir ao salva-vidas, você pode ficar confuso. Há explicação para possíveis incompreensões. É que muitas palavras no português de Portugal  são diferentes das nossas, brasileiras. Neste caso se incluem camisola, guarda-redes, pastilha elástica e salva-vidas que significam respectivamente para  nós camiseta, goleiro, chiclete e sanitário. 
 
Isso acontece por várias razões. Vamos começar pelo  início esta história de língua portuguesa do Brasil e de Portugal porque amanhã, 21 de Maio, é o Dia da Língua Nacional. Então, quando o Brasil foi descoberto, os portugueses  encontraram aqui  os nativos da terra aos quais chamaram índios. Estes viviam mais no litoral e eram em sua maioria da tribo tupi-guarani. Falavam um idioma que os portugueses apelidaram de “nhemnhemnhem”. Sabe por quê? . “Nhem”,  no idioma indígena, significava “ falar”. Como os índios falavam muito, os portugueses diziam que eles faziam um “nhem nhem nhem.” Este “ nhemnhemnhem” acabou por nomear a língua predominante do Brasil até o ano de 1757, quando uma lei assinada em Portugal proibiu seu uso nas escolas dos padres catequistas  e nas repartições públicas. Até então, a língua geral do Brasil era o nhenhenhém.
 
 Aos poucos os portugueses foram chegando em grande número  para colonizar o Brasil. Então, com o passar do tempo, a língua portuguesa foi prevalecendo e a dos índios desaparecendo. Mas muitos vocábulos indígenas já haviam sido adotados pelos brasileiros e permanecem até hoje na nossa língua. Vamos citar alguns: jaú, peteca, carioca, capivara, mingau, tamanduá, catapora, pororoca, manacá, maracujá, jatobá, jabuti, Xingu, Iporá, Itanhaém, Araraquara... São mais de duas centenas, e a maioria está relacionada à natureza, à flora, à fauna e à toponímia, ou seja, nomes de lugares.
 
Como os índios não se adaptaram ao trabalho escravo e morriam em grande quantidade, os portugueses escravizaram  africanos  e os trouxeram à terra brasileira. Os africanos chegavam falando diversos dialetos, que acabaram contribuindo para o enriquecimento da nossa língua. Muitas palavras que falamos são originárias dos dialetos africanos: samba, cachaça, acarajé, farofa, fubá, moqueca, quibebe, dendê, banguela, calombo, maracatu... São também mais de duas centenas e a maioria está relacionada a comidas e música. 
 
Depois da contribuição dos índios e dos africanos à língua portuguesa falada no Brasil, houve outra, mais recente:  a dos imigrantes que chegaram a partir do século XX , como os italianos e os espanhóis. Também eles influenciaram a língua no lugar onde se estabeleceram. Por isso a fala do gaúcho, morador do Rio Grande do Sul, que recebeu grande número de imigrantes italianos, é diferente da fala do nordestino, que quase não teve contato com europeus.  
 
Então foi dessa forma que tudo aconteceu. Distante de Portugal e recebendo influência dos índios, dos africanos e dos imigrantes, a língua portuguesa falada no Brasil foi se distanciando da língua portuguesa falada em Portugal. Os escritores que escreveram suas histórias usando o português do Brasil contribuíram para que nossa língua encorpasse, ganhasse nova forma, se diferenciasse mais da de Portugal.
 
Isso não quer dizer que se você for a Portugal não vai entender a língua dos portugueses. Claro que vai. A diferença fica por conta do sotaque e de muitas palavras que aqui significam uma coisa, e lá, outra. 

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