Ao que tudo indica a insistência dará lugar à desistência. O presidente da República, Michel Temer (MDB), estuda anunciar, em evento do partido na próxima terça-feira, que não será candidato para tentar permanecer no Palácio do Planalto. A decisão deve ser tomada até a noite desta segunda-feira. Temer ainda insiste na anunciada derrota, talvez pela necessidade de manter o foro privilegiado, mas as circunstâncias finalmente parecem convencê-lo de que abrir caminho para outros nomes, como o do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, é a única saída para o partido ter a mínima chance de disputar com algum fôlego as eleições presidenciais de outubro.
Temer acaba de comemorar dois anos na presidência da República. Alçado ao cargo de mandatário maior da Nação, após o início do processo que culminou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), o emedebista coleciona índices recordes de rejeição - maiores, inclusive, que de sua antecessora. Tenta, a todo custo e sem sucesso, se apoiar nos números da economia. Brada aos quatro cantos que tirou o País de sua maior recessão. Comemora os baixíssimos índices de inflação. Celebra as menores taxas de juros da história recente brasileira. Tudo isso é fato, mas nada disso foi suficiente para recuperar o poder econômico da população, que ainda sofre com a queda de seu poder aquisitivo e com o desemprego que atinge mais de 13 milhões de cidadãos. A pífia recuperação da economia não é suficiente para patrocinar a simpatia da população por seu governante, muito menos, para transformar-se em voto.
O presidente afirma que utilizou-se da baixa popularidade para fazer as reformas necessárias, que possibilitaram o fim da recessão econômica brasileira. Mas o fato é que fez pouco. E há meses não faz nada. Transformou-se num governo moribundo, à espera da morte. Ao começar a cogitar a possibilidade de candidatar-se em outubro, Temer viu sua rejeição agravar-se, como se pudesse piorar ainda mais. Na seara dos mortos-vivos, atua como uma espécie de vampiro, sugando a vitalidade das candidaturas de quem se aproxima dele. Geraldo Alckmin (PSDB) e o próprio Meirelles que o digam.
O anúncio desta terça-feira torna-se ainda mais difícil a Temer, pois certamente será o sepultamento de sua carreira de influente político. Se como presidente não conquistou a simpatia da população, manteve-se no cargo graças ao prestígio junto aos parlamentares do Congresso Nacional. Deputado federal por décadas, participou da Assembleia Constituinte, presidiu a Câmara Federal e pavimentou sua ascensão até o Planalto. Paradoxalmente, o ápice do emedebista sinaliza, até o momento, sua derrocada. Parte disso, além dos processos dos quais é alvo na Justiça, explica a dificuldade de Temer em jogar a toalha. Mas, prezado presidente, chegou a hora.
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