Futuro nem um pouco promissor


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DESEMPREGO CAI PORQUE TRABALHADORES desistiram DE PROCURAR UMA VAGA
Existem no Brasil 27,7 milhões de pessoas que ou não estão trabalhando ou seu potencial produtivo não é utilizado em sua totalidade ou, pior, desistiram de procurar um emprego. Tratam-se dos desempregados ou subempregados que atingiram o número recorde no primeiro trimestre deste ano. Neste montante, há brasileiros que gostariam de trabalhar, mas que se abdicaram da busca por um posto no mercado de trabalho desiludidos com a atual situação econômica nacional. Sem esperança de conseguir um emprego, deixaram de batalhar por uma vaga. Essa grave situação é reflexo ainda da histórica recessão que o País enfrentou nos últimos anos. Os dados, divulgados nessa quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), fazem parte da Pnad Contínua.
 
A consequência do desalento desses milhões de brasileiros é que, fora das filas por emprego, eles acabam excluídos das estatísticas e, desta forma, o desemprego cai. O resultado, ainda segundo o IBGE, é que no primeiro trimestre de 2018 a taxa de desocupados ficou em 13,1%, contra 13,7% no mesmo período do ano passado. “A desocupação caiu sim, mas caiu em função de aumento do desalento e aumento da população subocupada”, afirmou o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo. O pesquisador afirma que a queda, mesmo que tímida, no desemprego durante o ano passado foi patrocinada pelo aumento do número de trabalhadores informais. Em 2017, o número de empregados com carteira assinada no país atingiu baixa histórica. 
 
A pesquisa mostra que 13,7 milhões de brasileiros estão na fila por um emprego, sendo que 3 milhões tentam insistentemente há dois anos a recolocação ou o ingresso no mercado de trabalho. O analista da consultoria Tendências, Thiago Xavier, diz que “quanto maior o tempo fora, maior a chance de a pessoa deixar o mercado. Existe o efeito psicológico, que emula bem a questão do desalento, que traduz uma ideia de frustração, mas também tem a questão dos custos, já que existe um nível de gasto para se procurar emprego, como condução, alimentação e impressão de currículos”.
 
Se 13,7 milhões de cidadãos ainda acreditam no Brasil, outros 14 milhões perderam a esperança. O analista explica que “as pessoas voltam a procurar emprego quando percebem que a economia está melhor. E para o desemprego melhorar de forma sustentável, precisamos criar vagas para quem está na fila e também para quem deixou a fila ou vai ingressar nela em breve, o que não parece ser o cenário que temos à frente”.
 
Enquanto políticos usam os números a seu bel-prazer, com interpretações deturpadas com objetivo meramente eleitoreiro, a população sofre com a desgraça financeira a que foi involuntariamente lançada. Enquanto formos governados por corruptos e pessoas que fazem da política carreira profissional, o desalento será nosso principal companheiro.

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