Juliano Mendonça Jorge foi preso no dia 20 de abril de 2016, quando exercia o cargo de prefeito de Miguelópolis. Ele segue atrás das grades no presídio de Tremembé. Em quatro meses, o político sofreu três condenações que somam 52 anos.
É acusado pelo Gaeco de chefiar uma organização criminosa que se instalou na Prefeitura, no mandato de 2013/2016, especializada em fraudar licitações, falsificar documentos, direcionar contratações, arrecadar propinas, corromper agentes públicos, comprar vereadores e desviar dinheiro público. A ficha de Juliano se tornou ainda mais suja ontem.
Os promotores do Gaeco, com apoio da Polícia Militar, deflagraram a quarta fase da Operação Cartas em Branco, que visa a desmantelar a quadrilha instalada na Prefeitura de Miguelópolis e na Câmara Municipal. A ação teve como objetivo o cumprimento de dois mandados de prisão e um mandado de busca. Tiveram as prisões preventivas decretadas o médico Adriano Moyses Cristino e o ex-prefeito Juliano, que mantinham relação próxima de amizade.
Desta vez, o político é acusado de se apropriar de recursos que deveriam ter sido destinados para custear o tratamento de pacientes carentes que dependem do hospital da cidade. “A operação teve como foco combater crimes de desvio de verba pública, peculato-apropriação e lavagem de capitais, todos envolvendo a Santa Casa daquele município”, diz nota divulgada pelo Ministério Público. No total, segundo o Gaeco, foi apurado o desvio de R$ 299.581,05, que teria sido praticado pelo ex-prefeito das contas da Prefeitura e do Fundo Municipal de Saúde para a Santa Casa, em 2013.
Segundo os promotores do Gaeco, o médico, na época, era interventor da instituição e acabou se apropriando dos recursos e cometendo crime de lavagem de capitais. “Os valores dos prejuízos aos cofres públicos, em razão dos crimes praticados pela organização criminosa, são incalculáveis. Essa fase da operação tem como objetivo a recuperação parcial do prejuízo provocado ao município.”
Desde que a Operação Cartas em Branco foi deflagrada, há dois anos, o MP já ofereceu 51 denúncias contra os acusados de integrarem a organização criminosa. Há mais de 100 pessoas sendo processadas criminalmente e diversas condenações em primeira instância contra os envolvidos.
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